Nursultan, 15 set (EFE).- O papa Francisco e os demais participantes do Congresso de Líderes de Religiões Mundiais Tradicionais, que acontece em Nursultan, no Cazaquistão, aprovaram um documento final que cobra o fim da «retórica agressiva que alimenta os conflitos» e o rechaço das guerras de maneira enérgica.
«Estamos convencidos de que o desencadeamento de qualquer conflito bélico, criando focos de tensão e confronto, causa provoca reações em cadeia que deterioram as relações internacionais», indica o texto lido pela reverenda Bailey Wells, bispa de Dorking, na Inglaterra.
O documento, que contém 35 pontos e será adotado pelas Nações Unidas, foi apresentado durante o encerramento do Congresso, que teve a participação do papa Francisco, na última etapa da visita do pontífice ao Cazaquistão.
«Acreditamos que o extremismo, o radicalismo, o terrorismo e todas as demais formas de violências e guerras, sejam quais sejam seus objetivos, não têm nada a ver com a verdadeira religião e devem ser rechaçados nos termos mais enérgicos possíveis», afirma o texto, aprovado pela maioria dos representantes de 80 delegações.
Além disso, é cobrado «encarecidamente aos governos nacionais e organizações internacionais autorizadas a dar assistência integral a todos os grupos religiosos e comunidades étnicas que foram objetivo de violações de direitos humanos e violência por parte de extremistas e terroristas, como resultados de guerras e conflitos militares».
Embora o documento não mencione a guerra da Ucrânia, esta esteve muito presente na viagem do papa e durante os trabalhos do Congresso. O texto faz «um apelo aos líderes mundiais para que abandonem toda a retórica agressiva e destrutiva que conduza à desestabilização do mundo, e que cessem os conflitos e o derramamento de sangue em todos os cantos do nosso mundo».
Além disso, há uma cobrança voltada «aos líderes religiosos e figuras políticas proeminentes de diferentes partes do mundo a desenvolver, incansavelmente, o diálogo em nome da amizade, da solidariedade e da convivência pacífica».
Entre as delegações presentes estava a da Igreja Ortodoxa Russa, cujo patriarca, Kirill, defendeu diversas vezes a invasão da Ucrânia. O líder não esteve no Congresso, e enviou como representante o metropolita Antonij, presidente do Departamento de Assuntos Eclesiásticos Externos do Patriarcado de Moscou (na prática, o «ministro das relações exteriores»), que se reuniu com o papa Francisco.
«Defendemos o envolvimento ativo dos líderes das religiões mundiais e tradicionais e figuras políticas proeminentes no processo de resolução de conflitos para alcançar a estabilidade no longo prazo», também indica o documento.
Também há no texto um apelo para «os líderes políticos e empresariais globais para se concentrarem na superação dos desequilíbrios no desenvolvimento das sociedades modernas e em reduzir a lacuna no bem-estar dos diferentes segmentos da população e dos diferentes países do mundo».
Além disso, os representantes religiosos participantes do Congresso se comprometem «na proteção da dignidade e direitos da mulher, na melhora de seus status sociais como membros iguais da família e da sociedade.
Entre os 80 líderes religiosos e representantes de órgãos internacionais que se sentaram junto ao papa na mesa redonda do evento, apenas participaram oito mulheres. EFE



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