Dmitri Peskov, portavoz presidencial
Dmitry Peskov. EFE/Arquivo/ALEXANDER ZEMLIANICHENKO/POOL

Kremlin admite que confiscos de bens estrangeiros são resposta a sanções

Moscou (EFE).- O Kremlin admitiu nesta terça-feira que responde às sanções e ao congelamento de ativos russos no Ocidente com confiscos e nacionalizações de empresas e patrimônios de cidadãos estrangeiros no país.

«Estas medidas foram tomadas no contexto do clima hostil que se criou em torno da Rússia e de outras ações hostis, inclusive no âmbito econômico, que são realizadas por determinados Estados europeus, assim como por sua associação, a União Europeia», respondeu o porta-voz presidencial, Dmitry Peskov, durante sua entrevista coletiva diária.

«A Rússia está tomando as medidas que considera necessárias para salvaguardar seus interesses», acrescentou.

Peskov respondeu desta forma à pergunta sobre a reprivatização de certos ativos na Rússia após serem nacionalizados e se isso se trata de uma resposta de Moscou ao congelamento de ativos russos no Ocidente e aos planos de confisco e inclusive de cessão à Ucrânia.

«É claro que, se os planos de confiscar ilegalmente os ativos e propriedades russos forem implementados, a Rússia defenderá seus interesses e utilizará todos os instrumentos legais disponíveis», esclareceu.

Quanto aos ativos nacionalizados que eram propriedade de russos, Peskov não fez comentários e disse que isso depende de cada caso específico, que consta no relativo decreto presidencial.

Desde o início da guerra da Ucrânia em 2022, a Rússia nacionalizou mais de 100 empresas no país e outros tantos ativos.

Embora muitas delas fossem de propriedade estrangeira, como Shell, Danone e ExxonMobil, outras pertenciam a cidadãos russos.

A última proposta de orçamento do Estado para 2026 deixa claro que a Rússia prevê encher os cofres com a privatização de empresas públicas e que os gastos serão priorizados na indústria militar. EFE