Madri (EFE).- O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, defendeu nesta quarta-feira o acordo comercial da União Europeia (UE) com o Mercosul em contraposição à «lei da selva» que os Estados Unidos, liderados pelo presidente Donald Trump, tentam impor «unilateralmente».
Sánchez destacou a importância desta aliança durante um pronunciamento no Congresso que coincide com uma manifestação de agricultores e pecuaristas em Madri contra o pacto. Os produtores consideram que o acordo permite uma concorrência desigual dos produtos sul-americanos em relação aos europeus.
O governante espanhol enfatizou que o principal desafio da UE é, além de aprofundar seu mercado interno com a simplificação e harmonização das leis, formalizar acordos com outras regiões do mundo diante de um cenário em que os Estados Unidos estão rompendo unilateralmente as alianças comerciais, em alusão ao protecionismo.
«Felizmente, há muitos blocos regionais que querem se associar à União Europeia», ressaltou, acrescentando que, após mais de 25 anos de negociações por parte de diferentes governos, foi possível assinar o acordo com o Mercosul.
Na opinião de Sánchez, trata-se de uma «notícia extraordinária» para a Europa e, «sem dúvida também para a Espanha», porque está sendo criado «um marco de previsibilidade, segurança e respeito a uma ordem que, infelizmente, está sendo rompida de forma unilateral por parte de outros».
O presidente do governo espanhol assegurou ainda que a aliança comercial estudou «a fundo» os mecanismos que a UE deve implementar para superar as dificuldades e incertezas que o acordo possa gerar.
Especificamente, se dirigiu aos agricultores e pecuaristas para dizer que os responsáveis políticos da Europa estão «muito conscientes» de suas dúvidas e preocupações.
Nesse sentido, Sánchez destacou que o Parlamento Europeu aprovou ontem mesmo salvaguardas agrícolas que permitirão à UE suspender ou dificultar a entrada de produtos latino-americanos se for considerado que podem prejudicar de alguma forma os produtores europeus, incluindo os espanhóis.
A isso, somou os mecanismos de compensação de apoio financeiro extraordinário previstos pela Comissão Europeia, com a criação de uma rede de segurança dotada de «nada mais, nada menos» que 6,3 bilhões de euros, o que «viria a duplicar a atual reserva agrícola».
No entanto, o coordenador-geral da organização agrária espanhola União de Uniões, Luis Cortés, questionou nesta quarta-feira essas cláusulas de salvaguarda, argumentando que já existem outras em vigor que, em sua visão, não são cumpridas, como no caso do arroz.
Cerca de 2.500 agricultores com 367 tratores protestaram hoje no centro da capital da Espanha contra o acordo comercial e o corte de fundos da Política Agrícola Comum europeia a partir de 2028. EFE






