EFE/Arquivo/Isaac Fontana

Brasil pode reduzir metano da pecuária com mudanças no manejo do gado

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Rio de Janeiro (EFE).- Maior produtor mundial de carne, o Brasil pode reduzir de forma significativa suas emissões de metano por meio de mudanças no manejo do gado e outras práticas da produção agropecuária, segundo um catálogo com 37 recomendações divulgado nesta terça-feira pelo Observatório do Clima, principal rede da sociedade civil brasileira com foco na agenda climática.

As recomendações, 15 especificamente para reduzir as emissões das atividades agropecuárias, foram elaboradas pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), vinculado ao Observatório do Clima, e têm como objetivo uma redução das emissões deste gás 28 vezes mais poluente que o dióxido de carbono (CO2).

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Apesar de as emissões brasileiras de metano terem caído de 21,3 milhões de toneladas em 2023 para cerca de 21 milhões em 2024, o país continua como o quinto maior emissor mundial, atrás apenas de China, Estados Unidos, Índia e Rússia, e a redução ainda está longe de marcar uma tendência sustentada.

A agropecuária é, de longe, a principal fonte, com 15,7 milhões de toneladas em 2024, equivalentes a 75,8% do total. Mais de 90% das emissões do setor procedem da pecuária.

O metano é um potente gás de efeito estufa cuja permanência na atmosfera é muito menor que a do dióxido de carbono, de entre 10 e 20 anos, mas que tem um potencial de aquecimento 28 vezes superior ao CO2 em um período de 100 anos.

Por isso, sua redução pode contribuir para desacelerar com rapidez o aquecimento global, ao ponto que a própria ONU pediu no ano passado a seus países membros empenho nesta missão.

O SEEG considera que existem tecnologias e práticas conhecidas, muitas delas de baixo custo e com benefícios adicionais para a produtividade, a saúde pública e o meio ambiente. E seu catálogo propõe 37 soluções para os principais setores emissores.

Entre as 15 recomendações para reduzir as emissões da agropecuária estão a recuperação e a manutenção de pastagens, os sistemas integrados de produção, a redução da idade de abate do gado, o uso de aditivos para diminuir o metano produzido durante a digestão, o melhoramento genético e uma maior eficiência alimentar e zootécnica do rebanho.

«Mitigar o metano na agropecuária é uma grande oportunidade para o setor, por incluir produtividade e eficácia na produção de alimentos», afirmou Gabriel Quintana, coordenador da área de Ciência do Clima do Imaflora, organização responsável pelas recomendações para o setor e que participa do Observatório do Clima.

A redução da idade de abate permite encurtar o ciclo produtivo mediante melhorias na dieta, na saúde, na genética e no manejo.

Os animais abatidos antes acumulam menos emissões durante a vida, e uma maior eficiência produtiva também pode reduzir as emissões por unidade de carne produzida.

O SEEG também recomenda melhorar a qualidade das pastagens para elevar o rendimento dos animais, utilizar sistemas integrados que aumentem a eficiência produtiva e aplicar dietas mais digestíveis, que contribuam para reduzir o metano gerado durante a digestão.

Outra medida é o tratamento dos resíduos da produção animal mediante compostagem e biodigestão, com captura do biogás para impedir a liberação direta de metano.

O SEEG ressalta que a redução do metano requer combinar estas medidas com assistência técnica, crédito, planejamento territorial, pesquisa e acompanhamento dos resultados para que as práticas possam ganhar escala.

Quintana calcula que, mesmo com um crescimento do rebanho, o Brasil pode reduzir em até 25% suas emissões de metano até 2035, com práticas sustentáveis na agropecuária.

O futuro da agropecuária e a redução de emissões estão entre os temas que serão discutidos na quarta edição do Fórum Latino-Americano de Economia Verde (FLEV), que a Agência EFE promoverá em São Paulo no próximo dia 3 de setembro e que contará com a participação de autoridades, especialistas e representantes de empresas e organizações multilaterais.

O evento conta com o patrocínio da ApexBrasil e o apoio de AYA Earth Partners, Imaflora e Observatório do Clima. EFE