EFE/ Cleveland Clinic

Mulher costa-riquenha enfrenta câncer com fígado doado pelo filho

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Redação Central (EFE).- A empresária costa-riquenha Carolina Espinoza recebeu em março deste ano parte do fígado de um de seus filhos, e só assim conseguiu melhorar seu estado de saúde após uma batalha de mais de cinco anos contra um câncer colorretal com metástase hepática.

Espinoza, de 52 anos, passou por múltiplas cirurgias, sessões de quimioterapia e imunoterapia, além de outros tratamentos.

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Ela chegou a participar de protocolos de pesquisa nos Estados Unidos, mas o câncer reapareceu quando as opções terapêuticas estavam se esgotando.

Após ser avaliada por especialistas, foi encaminhada ao Cleveland Clinic Weston Hospital, na Flórida (Estados Unidos), onde uma equipe multidisciplinar determinou que a melhor alternativa para seu tratamento era um transplante de fígado com doador vivo, neste caso, um parente compatível e disposto a doar, para evitar atrasos associados à espera pelo órgão.

O Centro de Transplantes da Cleveland Clinic é um dos principais centros de transplantes de coração, rim e fígado no sul da Flórida, e um dos poucos do estado com programas de doador vivo tanto para transplante renal quanto hepático.

Até o momento, o centro realizou 1.686 transplantes de rim, 712 transplantes de fígado e 384 transplantes de coração.

“Quando soube que existia a possibilidade de um transplante, fiquei feliz, porque isso significava uma oportunidade de continuar vivendo”, recordou Espinoza.

Segundo a Rede Unida para o Compartilhamento de Órgãos (UNOS, na sigla em inglês), a cada ano, nos Estados Unidos, cerca de 3 mil pessoas morrem ou ficam gravemente doentes enquanto esperam por um transplante de órgão.

O processo de doação

Sofía, de 31 anos, e Santiago, de 26, os dois filhos de Espinoza, se ofereceram como possíveis doadores e, após uma avaliação médica e psicossocial, o jovem foi escolhido como doador compatível.

“Tive dúvidas, queria ter certeza de que meu filho ficaria bem. Cheguei a buscar uma segunda opinião na Costa Rica, mas, para Santiago, nunca houve dúvidas: ele queria me ajudar”, relatou Espinoza.

Antonio Pinna, diretor do Centro de Transplantes Abdominais e do programa de Transplante Hepático com Doador Vivo da Cleveland Clinic Weston, explicou que avaliar um doador é um processo minucioso, que começa com exames de sangue para verificar a compatibilidade e inclui testes para examinar a anatomia do fígado.

Ele também destacou que a avaliação psicossocial do doador é tão importante quanto a médica.

“Queremos garantir que a pessoa compreenda os riscos e benefícios da doação, que tome a decisão voluntariamente e que conte com o apoio emocional necessário durante sua recuperação”, afirmou.

O transplante foi realizado em março e, embora a recuperação de Carolina tenha sido complexa devido aos procedimentos médicos anteriores e às limitações no manejo da dor, ocorreu com sucesso, assim como a de Santiago.

“Ver meu filho disposto a passar por uma cirurgia para salvar minha vida foi algo impossível de descrever”, afirmou Espinoza, que agora desfruta de uma qualidade de vida que parecia inalcançável durante os anos mais difíceis de sua doença.

Novas oportunidades

Espinoza revelou que seu caso foi tão complexo que, em alguns momentos, “nem os médicos pensavam que eu chegaria até aqui”, mas sempre manteve sua vontade de viver e de estar com a família.

Pinna, por sua vez, incentivou os pacientes que aguardam um transplante de fígado a manter a esperança e convidou aqueles que consideram ser doadores em vida a se informar sobre o processo e entrar em contato com especialistas.

Segundo números da UNOS, atualmente há cerca de 14 mil pessoas nos Estados Unidos na lista de espera por um transplante de fígado.

“Os avanços neste campo tornaram possível ajudar mais pacientes do que nunca, e a doação em vida se tornou uma opção capaz de reduzir o tempo de espera e salvar vidas”, concluiu Pinna.

Vários meses depois do transplante, Carolina afirma se sentir otimista e grata por cada momento compartilhado com sua família, e espera que sua história possa conscientizar sobre a importância da doação em vida. EFE