EFE/ Álvaro Alfaro

Do olhar humano ao algoritmo: o papel crescente da IA na siderurgia chinesa

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Nanjing (China) (EFE).- A inteligência artificial (IA) tem ganhado cada vez mais protagonismo na siderurgia chinesa, principalmente para a realização de tarefas de monitoramento, previsão e cálculo, que durante décadas dependeram da experiência de funcionários, enquanto as decisões mais importantes ainda continuam em mãos humanas.

Um exemplo é a siderúrgica Nanjing Iron & Steel (NISCO), na cidade chinesa de Nanjing, no leste do país, que desenvolve essas tecnologias em parceria com a gigante de tecnologia Huawei.

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Em uma linha de produção da NISCO, enquanto uma chapa de aço incandescente avança sobre uma sequência de rolos e jatos de água a resfriam, levantando nuvens de vapor, em um centro de controle localizado em outro ponto do enorme complexo operários de uniforme azul trabalham diante de dezenas de telas, câmeras e alertas em salas a partir das quais a empresa afirma conseguir acompanhar a produção de forma integrada.

Do olhar humano ao modelo de IA

No alto-forno, a NISCO instalou milhares de sensores e dispositivos para monitorar parâmetros como temperatura, pressão ou composição dos materiais.


“Podemos prever isso com duas horas de antecedência” e com precisão superior a 90%, explicou Liu Yonghui, diretor do Centro Digital-Inteligente da Divisão Siderúrgica da NISCO, sobre um modelo que antecipa a evolução da temperatura e do teor de silício do ferro-gusa.


Liu, que trabalhou durante anos em um alto-forno antes de passar para funções de digitalização, lembrou que anteriormente boa parte do processo dependia da experiência acumulada pelos trabalhadores.
Agora, os sistemas avaliam o “estado de saúde” do forno, detectam anomalias e geram alertas para que os operadores atuem antes que um problema se agrave.
Uma lógica semelhante é aplicada na laminação, onde modelos alimentados por dados históricos e conhecimento especializado recomendam força, número de passadas ou velocidade.

Alta precisão

No controle de qualidade, a NISCO afirma que um sistema automatizado de análise metalográfica apoiado por IA supera 95% de precisão e reduziu de cerca de dez minutos para entre três e cinco o tempo necessário para examinar uma amostra.

A segurança é um dos argumentos para acelerar essa transformação. Segundo o Ministério de Gestão de Emergências, a indústria metalúrgica chinesa registrou em 2024 um total de 78 acidentes de trabalho e 95 mortes, sem incluir incêndios nem acidentes relacionados a equipamentos especiais ou gás.

Os números, embora indiquem uma redução de 6% no total de acidentes em relação a 2023, apontam um aumento de 1,1% no número de mortes.
As análises oficiais identificaram entre os principais riscos lesões mecânicas, impactos, intoxicações e queimaduras, e recomendaram ampliar a automação e as operações inteligentes sem operadores.

Múltiplos modelos

A NISCO afirma ter investido mais de 5 bilhões de yuans (US$ 749 milhões) em transformação digital.

Boa parte dessas ferramentas se articula em torno da ‘YuanYe’, uma arquitetura de inteligência artificial para a indústria siderúrgica que combina diferentes modelos especializados com modelos baseados em princípios físicos e de processo, em vez de recorrer a um único sistema para toda a fábrica.

A Huawei trabalha com a NISCO desde 2019, inicialmente em digitalização e, desde 2024, também em aplicações de IA. A empresa de tecnologia fornece infraestrutura de computação, plataformas, ferramentas e arquitetura de dados, enquanto diversas aplicações específicas são desenvolvidas pela NISCO e por outros parceiros.

Cheng Yongfu, especialista em soluções para o setor siderúrgico da Huawei, distingue entre automação, que executa tarefas anteriormente realizadas manualmente, e IA, utilizada sobretudo para decisões, planejamento e otimização.

Na avaliação dele, pretender que um único modelo resolva todos os problemas de uma siderúrgica “não é realista”, devido à variedade de processos e à “elevada confiabilidade” exigida por um ambiente industrial.

Humanos em etapas-chave

Apesar do avanço da automação, a NISCO insiste que as decisões fundamentais continuam cabendo às pessoas.

“Em etapas-chave, ainda precisamos que sejam as pessoas a tomar as decisões”, afirmou Li Jinyan, diretor do Instituto de Pesquisa em IA da NISCO.

“Não se trata de substituir” o trabalhador, acrescentou Li, mas de empregar a IA como apoio para aumentar a eficiência e liberar os funcionários de tarefas “perigosas e repetitivas”.

Questionado pela EFE sobre como essas fábricas poderiam ser daqui a dez ou vinte anos, Cheng evitou fazer uma previsão fechada, mas apontou três direções: afastar trabalhadores de ambientes perigosos, combinar décadas de experiência industrial com novas ferramentas e elevar a qualidade dos produtos.

A IA, afirmou à EFE, pode tornar os trabalhadores “mais capazes” ao unir esse conhecimento acumulado a modelos capazes de analisar mais variáveis e propor soluções. EFE