Brasil quer crescer na Europa com alimentos de valor agregado e agricultura familiar

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São Paulo (EFE).- O Brasil, um dos principais exportadores mundiais de alimentos, busca ganhar espaço no mercado europeu com produtos de maior valor agregado e a incorporação de cooperativas da agricultura familiar ao comércio internacional, em uma aposta liderada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

“A agricultura familiar brasileira pode e deve ocupar espaços cada vez maiores no comércio global, com produtos de qualidade, origem, sustentabilidade e valor agregado”, afirmou em comunicado o presidente da instituição, Laudemir Müller.

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Müller explicou que a ApexBrasil passou de trabalhar com cerca de 40 cooperativas há alguns anos para aproximadamente 600 atualmente, mais de 95% delas formadas por pequenos agricultores ou produtores familiares, e estimou que pelo menos 400 possam gerar negócios com países europeus.

O objetivo é aproveitar atributos como a biodiversidade, a sustentabilidade e o comércio justo para diferenciar os produtos dessas organizações em mercados internacionais competitivos.

Nesse sentido, a estratégia também busca aproveitar as vantagens do acordo comercial entre UE e Mercosul, que entrou em vigor em maio passado.

Exportações em alta

Entre maio e setembro, as exportações brasileiras para a UE aumentaram 30,6% em comparação com o mesmo período de 2025, alcançando US$ 27,25 bilhões, segundo dados oficiais.

Desse total, US$ 7,445 bilhões corresponderam ao setor de alimentos e bebidas, cujas exportações registraram crescimento de 13,2% na comparação anual.

O avanço foi maior entre os alimentos e bebidas processados destinados principalmente ao consumo doméstico, cujas exportações aumentaram 27,2%.

Além disso, o gigante sul-americano já era o principal fornecedor de produtos agrícolas da UE, para a qual exportou cerca de US$ 21,8 bilhões em 2025, equivalentes a 44% de suas vendas totais ao bloco.

Aproximação com o mercado europeu

Diante desse contexto, aproximar as empresas brasileiras de parceiros comerciais é fundamental para transformar oportunidades em negócios concretos em um mercado estratégico e em expansão.

Por isso, uma delegação recorde de 156 empresas desembarcará em 17 de outubro na França para a SIAL Paris, evento bienal considerado a maior feira profissional do setor agroalimentar do mundo e que deverá reunir cerca de 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países.

Entre 2008 e 2024, o Brasil gerou cerca de US$ 12,5 bilhões em negócios na SIAL Paris, segundo dados da ApexBrasil, que estima um valor recorde de US$ 3,5 bilhões em negócios imediatos e contratos futuros nesta edição de 2026.

Para isso, a missão brasileira ocupará 1.367 m² e estará distribuída em cinco áreas da feira, com empresas de produtos congelados, bebidas, proteína animal, grãos, frutas e vegetais, além do Pavilhão Nacional.

Já o Brasil Trade Lounge funcionará como uma vitrine de produtos ligados à brasilidade, à sustentabilidade e à alimentação saudável, reunindo nove empresas comerciais exportadoras responsáveis por apresentar produtos de 51 pequenas e médias empresas brasileiras.

Cooperar para exportar

Das empresas brasileiras, 109 estarão sob coordenação da ApexBrasil, incluindo, pela primeira vez na participação do país nesta feira, dez cooperativas da agricultura familiar.

A iniciativa faz parte do programa “Cooperar para Exportar”, com o qual a ApexBrasil pretende facilitar a incorporação de pequenos produtores ao comércio internacional.

“Estamos levando a um dos principais palcos mundiais do setor alimentício produtos que expressam a diversidade e a biodiversidade brasileiras e que estão alinhados às tendências globais de consumo”, destacou Müller.

Para a ApexBrasil, essa participação na SIAL Paris combina escala e diversificação e é especialmente relevante para conectar grandes cadeias exportadoras, médias e pequenas empresas no âmbito do acordo UE-Mercosul.

Além disso, permite que empresas que não contam com estrutura própria para participar diretamente de grandes feiras internacionais tenham acesso a essas oportunidades globais.

Por outro lado, a agência brasileira também destacou em comunicado a importância da França — a segunda maior economia da UE — para a diversificação das exportações brasileiras.

O país que sediará a feira entre 17 e 21 de outubro “combina uma economia de grande escala, uma elevada capacidade de importação e uma demanda por produtos diferenciados”, oferecendo, segundo a ApexBrasil, pelo menos 407 oportunidades comerciais para produtos brasileiros. EFE