Moscou (EFE).- O Ministério das Relações Exteriores da Rússia rejeitou nesta sexta-feira uma possível trégua no Mar Negro proposta, segundo a imprensa internacional, pela Ucrânia por meio da Turquia devido ao impacto nas exportações de grãos dos ataques russos contra seus portos.
«Não vemos nenhum indício de que a situação esteja melhorando e, por conseguinte, não vemos motivos para adotar meias-medidas que simplesmente darão ao regime de Kiev um respiro temporal», disse Maria Zakharova, porta-voz da pasta de Exteriores russa, em coletiva de imprensa.
Zakharova disse ainda que, se for o mesmo esquema colocado em prática nos dois primeiros anos de guerra, a chamada Iniciativa do Mar Negro, essa variante é «inapropriada», já que exige de Moscou a cessação unilateral das ações militares na região.
De qualquer forma, assegurou que não recebeu nenhuma proposta formal de Ancara na qual constem as condições concretas para uma moratória aos ataques.
Enquanto o ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, apelou a ambos os lados para que cessem os ataques, Moscou intensificou os bombardeios às instalações do porto de Odessa, assim como Kiev aumentou os ataques contra a retaguarda inimiga.
A ONU alertou no final de julho que os preços do trigo subiram 20% desde o início do mês, atingindo seus maiores níveis desde março de 2024, o que representa uma ameaça para a segurança alimentar global.
De fato, o grão russo destinado à exportação caiu 22% nos primeiros dez dias de agosto, segundo a União Cerealista da Rússia (UCR), somando-se ao fato de que as exportações já haviam caído 26,6% em julho, em comparação com o mês anterior.
Por sua vez, a UCR admitiu que atualmente carece de meios para o plantio de inverno, já que os produtores estão vendendo o grão com grandes prejuízos.
Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, afirmou nesta sexta-feira que a Turquia e os Estados Unidos nunca condenaram publicamente os ataques ucranianos contra os navios ou as instalações do oleoduto do Cáspio no Mar Negro.
Lavrov também descartou uma possível cessação das hostilidades no front, o que só considerou possível «quando se chegar a um acordo duradouro, confiável e sólido». EFE







