São Paulo (EFE).- A América Latina ostenta um enorme potencial para fazer do turismo um motor de desenvolvimento econômico e conservação ambiental, mas precisa conseguir que os visitantes gastem mais e que o benefício fique nas comunidades locais.
Assim afirmaram especialistas internacionais em um painel sobre os desafios do turismo na região no IV Fórum Latino-Americano de Economia Verde (FLEV), realizado nesta quinta-feira em São Paulo.
«O grande desafio é quanto fica nos territórios: sair do volume de turistas para pensar em como trazer benefícios», afirmou Juliana Bettini, especialista sênior em Turismo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Para ela, a solução está em ter uma visão integrada. Isso passa não apenas por investir em infraestruturas básicas, como rodovias, mas incentivar estratégias de promoção, melhorar os negócios e dar assistência técnica às pequenas e médias empresas.
O turismo no continente americano seguiu nos primeiros meses deste ano a tendência de crescimento mundial, embora com enormes desigualdades.
Enquanto na América Central e no Caribe as chegadas cresceram 18%, na América do Sul caíram 1%, uma queda que se deve, principalmente, ao fato de vir de um ano de 2025 muito positivo, explicou Cinthia Marques, especialista sênior de Projetos e Investimentos da ONU Turismo.
O Brasil, por exemplo, quebrou seu recorde histórico de chegada de turistas internacionais em 2025, ao atingir 9 milhões.
«E superar isso é muito difícil», acrescentou Marques.
Neste contexto, o desafio para a região, para ela, não é tanto atrair mais turistas, mas encontrar a fórmula para que «fiquem mais tempo, gastem mais» e que esse benefício «fique nas comunidades locais» com produtos da região.
Marques revelou que essa é a estratégia que o México quer impulsionar. Apenas no ano passado, o país recebeu cerca de 100 milhões de visitantes internacionais, segundo dados oficiais.
TURISMO NA AMAZÔNIA
A Amazônia brasileira também está se movendo nessa direção, em meio à enorme pressão imposta pelo desmatamento, pela mineração ilegal e pelo agronegócio.
Gilvan Pereira, coordenador do Fórum de Turismo do Consórcio Amazônia Legal e superintendente de Turismo de Rondônia, destacou que a chegada de visitantes estrangeiros cresceu 63,6% no estado entre o primeiro semestre de 2024 e o de 2025.
Além disso, os empregos formais dedicados ao turismo aumentaram quase 50% entre 2020 e 2024.
Porém, ele advertiu que, «para manter a floresta em pé, é preciso pensar nas comunidades que vivem dentro dela para que consigam gerar renda e, para isso, é necessário todo tipo de estrutura».
Neste contexto, Pereira afirmou que o Brasil «precisa estar mais conectado» e melhorar sua malha aérea para fazer do turismo uma autêntica indústria de desenvolvimento sustentável.
Ele mencionou como práticas turísticas ecológicas de grande retorno na Amazônia a pesca esportiva e a observação de aves.
O Brasil também está buscando aumentar as visitas aos seus mais de 300 parques naturais, entre eles 77 nacionais.
Renata Mendes, diretora-executiva do Instituto Semeia, entidade que se dedica a promover a conservação dos parques naturais brasileiros, ressaltou o potencial desperdiçado desses territórios.
«Para cada real investido na natureza, são gerados R$ 16 em valor agregado ao PIB», disse ela ao citar um estudo do Banco Mundial e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A quarta edição do Fórum Latino-Americano de Economia Verde (FLEV), organizado pela Agência EFE, reuniu autoridades, especialistas e representantes de empresas e organizações multilaterais.
O evento contou com o patrocínio da ApexBrasil e do WWF-Brasil e o apoio de AYA Earth Partners, Imaflora e Observatório do Clima.









