São Paulo (EFE).- O climatologista Carlos Nobre alertou que o fenômeno meteorológico El Niño que se aproxima promete ser “o mais forte em mais de 100 anos” e pediu urgência às autoridades locais no combate ao crime organizado para evitar que o fogo devaste a floresta amazônica.
Durante sua participação no IV Fórum Latino-Americano de Economia Verde (FLEV), organizado pela Agência EFE na cidade brasileira de São Paulo, Nobre afirmou que o fenômeno em breve “estará alcançando um nível muito forte” e que já começou a provocar eventos extremos, como secas na Amazônia e ondas de calor em pleno inverno no Sudeste brasileiro.
O copresidente do Painel Científico para a Amazônia (SPA) manifestou sua preocupação durante o painel “A riqueza da floresta em pé: como a Amazônia está redefinindo a bioeconomia global”, da quarta edição do Fórum Latino-Americano de Economia Verde, organizado pela Agência EFE, realizado em São Paulo.
Segundo explicou, após avanços na redução do desmatamento tradicional, feito com “motosserras e tratores”, o crime organizado passou a se encarregar de continuar ateando fogo à floresta nos “últimos anos”.
Diante desse cenário, o cientista instou os governos estaduais a combater as queimadas ilegais a partir de agora e pelo menos até janeiro, para conter os danos que serão provocados pelo El Niño e evitar a perda massiva de cobertura vegetal.
O alerta de Nobre coincide com um relatório publicado pela Organização Meteorológica Mundial, que confirma que o fenômeno atingirá intensidade muito forte nos próximos meses, aumentando o risco de episódios climáticos extremos, secas prolongadas e ondas de calor em diversas regiões do planeta.
Segundo as previsões do organismo, a probabilidade de que o evento persista até fevereiro de 2027 é praticamente de 100%.
IMPULSO À SOCIOBIOECONOMIA
No âmbito do debate sobre a conservação do bioma, o também professor da Cátedra de Clima e Sustentabilidade da USP antecipou que, em breve, será inaugurada a primeira biofábrica de chocolate gerida pelo povo indígena Paiter Suruí, no estado Rondônia, com o objetivo de agregar valor às comunidades que historicamente venderam matéria-prima sem processamento, como a amêndoa de cacau, a preços muito baixos.
Por sua vez, a diretora-executiva do WRI Brasil, Mirela Sandrini, destacou o momento decisivo vivido pela bioeconomia na agenda multilateral global e a necessidade de passar “dos planos à ação”.
Sandrini afirmou que a atualização de um estudo realizado pelo centro elevou de 13 para 41 o número de cadeias produtivas identificadas na região amazônica.
Essas cadeias, que hoje contribuem com R$ 13 bilhões ao produto interno bruto (PIB) brasileiro, poderiam injetar até R$ 40 bilhões até 2050 com investimentos estratégicos.
O IV Fórum Latino-Americano de Economia Verde foi realizado no último dia 3 de setembro e contou com o patrocínio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do WWF-Brasil, e com o apoio da AYA Earth Partners, do Imaflora e do Observatório do Clima. EFE.









