Especialistas defendem maior pressão dos mercados sobre governos em matéria climática

São Paulo (EFE).- Especialistas em políticas públicas concordaram nesta quinta-feira que é necessária uma maior pressão do mercado sobre os governos para que estes se interessem mais pela questão climática, durante um painel no III Fórum Latino-Americano de Economia Verde, organizado pela Agência EFE em São Paulo.

Para os especialistas, alguns governos, como é o caso do atual dos Estados Unidos, parecem atender mais às questões do mercado do que à agenda climática, por isso é importante que os atores financeiros exerçam um papel fundamental na tomada de decisões para obter uma economia mais sustentável.

Segundo o representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Claudio Providas, o fato de que, por exemplo, a altitude em cidades importantes como Miami esteja quase no nível do mar fará com que em alguns anos se torne inabitável.

Sobre Miami, “um aumento de 10 ou 20 centímetros no nível do mar fará com que muitos dos condomínios de luxo de hoje” se tornem inabitáveis ou, no mínimo, obrigará os moradores a se mudarem para “o segundo andar”.

Ele ressaltou que “há evidências” de que pode existir uma “nova economia verde que responda aos interesses de todos”.

Por isso, ele defendeu a necessidade de manter um multilateralismo ativo e citou a próxima Conferência sobre as Mudanças Climáticas da ONU (COP30), que será realizada em novembro em Belém (PA), como uma oportunidade para novas soluções.

Providas foi um dos especialistas que participaram do espaço ‘América Perguntas’, uma das novidades da terceira edição do fórum organizado pela Agência EFE, no qual responderam a perguntas sobre mudanças climáticas enviadas por cidadãos comuns de toda a América Latina.

Ao lado dele, o ex-ministro peruano Manuel Pulgar-Vidal, líder global de clima e energia do WWF Internacional, concordou que a economia já está dando mostras de que o processo em direção à sustentabilidade é “irreversível”.

Diferenças entre Europa e América Latina

Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, a principal rede de organizações da sociedade civil dedicadas ao cuidado do meio ambiente do Brasil, afirmou que, em termos políticos, é diferente “falar sobre clima” na América Latina e na Europa.

No caso da América Latina, a opinião pública considera que o clima é um problema. No entanto, ele nem sempre é priorizado na hora de destinar orçamentos públicos.

“Existem questões sociais de sobrevivência em certos países (da América Latina) que fazem com que o tema (climático) ainda não chegue ao mesmo nível de prioridade em termos de política pública que em países desenvolvidos”, opinou o especialista.

Ele detalhou que, assim como as necessidades são diferentes, as consequências dos eventos climáticos nas distintas regiões também impactam de forma diferente.

“Quando discutimos, estamos discutindo um tema comum. A mudança climática vai afetar todos os países, mas as consequências desses eventos extremos são absolutamente diferentes”, alertou.

Ele citou o caso do governo da França, que recentemente elaborou um plano de contingência para o aumento da temperatura da Terra.

Em seu relatório, a França “considerou um aquecimento de até quatro graus” e, em outros países, “um aumento de até quatro graus não tem adaptação possível”.

Os desafios em direção a uma economia verde são temas abordados no III Fórum Latino-Americano, que conta com o patrocínio de ApexBrasil, Norte Energia e Lots Group, além do apoio de Imaflora, Observatório do Clima e IBMEC, em cujo auditório o evento é realizado. EFE