Belém (EFE).- O Brasil, um dos principais exportadores do mundo, busca impulsionar a biosocioeconomia amazônica como estratégia de crescimento global — uma aposta que promete transformar a realidade local e que o país tenta fortalecer na 30ª conferência do clima da ONU, a COP30, realizada sob sua liderança na cidade de Belém.
De acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), produtos compatíveis com a floresta movimentam cerca de 300 bilhões de dólares no mundo.
O Brasil responde por 1% desse total, embora abrigue cerca de 60% da maior floresta tropical do planeta.
“Se ampliarmos a presença dos nossos produtos da biosocioeconomia, podemos transformar a realidade amazônica (…) e gerar mais de 2 bilhões de dólares somente na região”, afirmou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, durante sua participação no evento, que termina nesta sexta-feira.
Além de ser uma vitrine global para a região e seus produtos, a COP30 permite que empresas, instituições e autoridades de todo o mundo conheçam de perto as múltiplas realidades da Amazônia brasileira.
Assim, é um momento ideal para fortalecer e ampliar as conexões entre a riqueza local e o mercado internacional.
Pará, o potente protagonista da COP30
Para isso, a agência brasileira lançou durante a COP novos estudos sobre estados amazônicos, entre eles o Pará, onde identificou 1.702 oportunidades de negócios com mercados como Estados Unidos, México, França e China.
Sede da primeira COP realizada na Amazônia, o estado se destaca pelo potencial de suas cadeias produtivas de base florestal e bioeconômica, capazes de gerar emprego, renda e valor agregado com baixo impacto ambiental.
O estado mais populoso do Norte do Brasil, com cerca de 8 milhões de habitantes, também foi em 2024 o maior exportador da região (77,5%) e o sexto do país.
A indústria extrativa respondeu por 70,1% dos 23 bilhões de dólares em vendas ao exterior.
O estudo também ressaltou que, entre 2019 e 2024, foram anunciados 255,5 milhões de dólares em investimentos no estado, provenientes de Estados Unidos (72,2%), Espanha (21,4%), Alemanha e Japão, concentrados nos setores de software (55,5%) e bancos, seguros e serviços financeiros (23,1%).
Segundo Viana, isso demonstra o potencial do Pará para se tornar um modelo de nova economia verde que “concilia prosperidade, conservação e inovação”.
Produtos estrela da Amazônia brasileira
Além do Pará, a floresta amazônica — que ocupa quase 50% do território brasileiro — oferece oportunidades únicas e pouco exploradas para transformar a vida das comunidades locais e a economia nacional com produtos como café, cacau, castanhas, açaí e pescados.
“A Amazônia não é apenas vital para o equilíbrio climático, mas também uma fronteira estratégica para a bioeconomia e o comércio sustentável”, enfatizou.
No entanto, é necessário avançar em políticas públicas e na adoção de práticas que permitam ampliar a produção e agregar valor a esses itens de forma inclusiva e sustentável, para que alcancem seu máximo potencial.
O cacau, por exemplo, é originário da Amazônia, mas Costa do Marfim e Gana são responsáveis por 70% da produção mundial.
Embora seja uma das bases da biosocioeconomia brasileira, segundo Viana, apenas cerca de 7% do valor do chocolate fica com os produtores — uma realidade que precisa mudar para impulsionar o setor.
Já o café, um dos principais produtos agrícolas do Brasil, conta com uma variedade amazônica adaptada ao clima e altamente produtiva, que poderia ser mais explorada por pequenos produtores e usada na recuperação de áreas degradadas.
“É um produto compatível com a floresta, que pode ser entre 50 e 100 vezes mais rentável que a pecuária. Ele simboliza uma nova economia que gera renda sem destruir”, explicou Viana.
Outro produto que se destaca por seu papel na recuperação de áreas degradadas é o açaí, um superalimento amazônico muito popular entre brasileiros e estrangeiros — que Viana considera “o melhor exemplo do enorme potencial dos produtos compatíveis com a floresta na Amazônia”. EFE