França diz que Lula abre “novas perspectivas” ao acordo entre UE e Mercosul

Paris (EFE).- A França, assim como outros países europeus, continua a se opor ao acordo de livre-comércio entre União Europeia (UE) e Mercosul, mas acredita que a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil abre novas perspectivas.

Fontes do Ministério das Relações Exteriores enfatizaram nesta quarta-feira que a França compartilha “muitas coisas” com Lula e recordaram que foi parabenizado “calorosamente” pela vitória no segundo turno das eleições presidenciais de 30 de outubro contra Jair Bolsonaro, o que consideraram “excelente notícia”.

No entanto, as fontes ressaltaram que a posição francesa contra o acordo UE-Mercosul nada tem a ver com quem preside o Brasil, mas sim com o seu conteúdo.

O governo francês insiste que a implementação não pode significar um maior desmatamento da Amazônia, que deve levar em conta os objetivos da luta contra as mudanças climáticas, e que é preciso garantir que os países do Mercosul devem respeitar as normas agroalimentares e fitossanitárias europeias nas suas exportações.

O acordo foi assinado entre União Europeia e Mercosul (constituído por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) em 2019, após vinte anos de negociações, mas a sua implementação exige a ratificação por ambas as partes, o que significa receber a aprovação de cada um dos países-membros.

A França vetou o acordo desde o início e avisou que não levantaria o seu veto até que as suas exigências fossem satisfeitas, incluindo a entrada em vigor de uma iniciativa da Comissão Europeia para impedir o chamado “desmatamento importado”.

Além disso, cobra a implementação no Mercosul, com a ajuda da UE, de um sistema para rastrear a origem dos produtos vegetais e animais e a aplicação aos produtos importados dessa região das mesmas normas em vigor na Europa em termos de saúde e meio ambiente. EFE