Cápsula Orion quebra recorde de maior distância percorrida a partir da Terra

Miami (EFE).- A cápsula Orion da missão não tripulada Artemis I da Nasa atingiu nesta segunda-feira a distância máxima alcançada por qualquer espaçonave a partir da Terra, 434.522 quilômetros, superando assim o recorde da Apollo 13.

Às 16h06, horário do leste dos EUA (18h06 de Brasília), “um marco importante” foi alcançado com a distância percorrida por Orion e seus três manequins a bordo, desde que deixaram o Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, confirmou em entrevista coletiva Rick Labrode, diretor de voo da Artemis I.

A Orion, que está viajando a 8.200 km/h, quebrou o recorde de maior distância percorrida da Terra por qualquer espaçonave projetada para ser tripulada por humanos, de acordo com a Nasa.

Na coletiva de imprensa, realizada no Johnson Space Center, em Houston (Texas), estavam também Mike Sarafin, gerente da missão Artemis; Vanessa Wyche, diretora do centro, e Howard Hu, administrador do programa Orion, que se felicitaram pelos “marcos” alcançados.

Enquanto voa em uma órbita retrógrada lunar distante, o que significa que está longe da Lua e em órbita oposta à trajetória da Lua ao redor da Terra, a Orion continua a transmitir imagens ao vivo de alta resolução.

De acordo com o Space.com, as novas imagens representam a visualização ao vivo de mais alta definição além da Lua até o momento, embora várias missões Apollo tenham sido transmitidas dessa área nas décadas de 1960 e 1970, acrescentou.

“Artemis está pavimentando caminho para viver e trabalhar no espaço profundo em um ambiente hostil e, finalmente, levar humanos a Marte”, disse o administrador da NASA, Bill Nelson, na coletiva de imprensa.

No décimo terceiro dia de voo da missão Artemis I, depois de ter percorrido centenas de milhares de quilômetros ao redor da Lua na Orion, o comandante da nave, o manequim Moonikin Campos, garantiu via Twitter que teve “um dia muito ocupado” tirando selfies com a Lua ao fundo e coletando dados da órbita lunar.

O manequim, que ao mesmo tempo é um super-herói em uma história em quadrinhos da Nasa, leva esse nome em homenagem ao americano Arturo Campos, engenheiro elétrico de origem mexicana que foi “fundamental” para salvar a tripulação da Apollo 13, segundo a agência espacial americana.

Na sexta-feira passada, a Orion entrou em uma órbita lunar distante, onde a espaçonave permanecerá por cerca de uma semana para testar vários sistemas em um ambiente de espaço profundo, cerca de 40.000 milhas acima da superfície lunar, antes de iniciar a viagem de retorno à Terra.

Há uma semana, a missão alcançou outro marco importante, sua maior aproximação lunar, voando a apenas 80 milhas (128 km) acima da superfície lunar.

Orion está programada para retornar à Terra em 11 de dezembro com uma amerissagem na costa da Califórnia, no Oceano Pacífico, após uma viagem de 25 dias, 11 horas e 36 minutos, de acordo com dados da Nasa.

O objetivo geral do programa Artemis é estabelecer uma base na Lua como um passo prévio para chegar a Marte no futuro.

Para isso, depois da Artemis I, a Nasa lançará a Artemis II na órbita lunar em 2024, com uma tripulação, e a decolagem do Artemis III está prevista para 2025, missão em que os astronautas, incluindo uma mulher, tocariam o solo do satélite.

A Nasa teve que atrasar a partida da missão quatro vezes, duas vezes por motivos técnicos e outras duas por motivos meteorológicos.

Finalmente, em 16 de novembro, o SLS, o mais poderoso e maior de todos os foguetes da Nasa, com uma altura superior a um prédio de 30 andares (98 metros), decolou da Flórida impulsionando a Orion. EFE