Musk anuncia que Neuralink poderá fazer implantes cerebrais daqui a 6 meses

Nova York (EFE).- A Neuralink poderá estar pronta para realizar implantes cerebrais em humanos dentro de seis meses, anunciou o fundador e proprietário, Elon Musk, em conferência da sua sede da companhia em Fremont, na Califórnia.

De acordo com o empresário, o procedimento está bem avançado em termos das licenças necessárias da Food and Drug Administration (FDA), agência que autoriza todos os tipos de dispositivos médicos no mercado, incluindo os implantes cerebrais.

Até agora, a FDA se mostra preocupada com o superaquecimento do implante (que inclui microfios no tecido cerebral), o que poderia resultar em vazamentos de químicos do implante para a massa cerebral, disse Musk na sessão de perguntas e respostas.

A função do implante será “ler” a atividade cerebral a fim de transmitir comandos para ajudar a restaurar algumas funções cerebrais gravemente danificadas após um AVC ou esclerose lateral amiotrófica, que resultam em uma grave diminuição da capacidade de comunicação.

Musk mostrou um vídeo de um macaco com um destes implantes, aparentemente capaz de mover um cursor sobre uma tela em direção às letras.

“Ele está movendo o cursor com a mente. Não é como se pudesse escrever, não quero exagerar”, comentou Musk.

O implante terá o tamanho de uma moeda e exigirá a remoção de um volume semelhante do cérebro para ser instalado, o que o distingue de outros dispositivos testados por empresas neurológicas que propuseram dispositivos semelhantes sem tal intervenção invasiva, de acordo com a “Bloomberg”.

“Hipoteticamente, eu poderia ter o dispositivo implantado agora mesmo e vocês nem notariam”, disse Musk na conferência.

Até agora, os implantes cerebrais foram desenvolvidos apenas em uma direção: do cérebro para o exterior (geralmente um computador que processa os sinais), mas o projeto Neuralink pretende ser capaz de transferir informação também na outra direção, para o cérebro.

Neuralink tem desenvolvido dois tipos de implantes paralelamente: um para restaurar a visão “inclusive naqueles que nunca tiveram”, e outro para restaurar funções corporais básicas em pessoas paralisadas por danos na medula espinhal. EFE