Dunas brancas e adrenalina são atrações do deserto no país da Copa

Javier Picazo Feliu.

Doha (EFE).- Observar a imensidão de areias brancas contrastando com o pôr do sol vermelho, sentir a adrenalina ao atravessar as dunas em um veículo com tração nas quatro rodas e, de repente, se surpreender com o mar são apenas algumas das maravilhas proporcionadas pelo deserto do Qatar, uma parada obrigatória para todos que forem ao país para assistir à Copa do Mundo.

A temporada de inverno no deserto, conhecida pelos locais como Al Enna, começa justamente durante a competição. As dunas de areia branca tornam-se a casa dos qatarianos que aproveitam a oportunidade para acampar ou nadar em um dos poucos lugares do mundo onde o mar corre para o deserto.

“O deserto aqui é muito diferente do que se imagina. A areia é de cor muito mais branca. Não é como a vermelha alaranjada. Portanto, é bastante diferente do que a maioria das pessoas provavelmente espera. Também há muitos espaços que são terrenos muito firmes, então é como dirigir em uma rodovia”, disse Berthold Trenkel, diretor de Operações de Turismo do Qatar.

As principais atividades que podem ser realizadas são curtir um passeio em um veículo 4×4 em alta velocidade com motoristas experientes, andar de camelo, praticar kitesurfe, assistir a uma sessão de caça com falcões, descer as dunas em uma prancha ou participar de uma festa em uma tenda beduína tradicional.

“Se você quer adrenalina e ação, pode percorrer o deserto em um 4×4 pelas dunas ou praticar sandboard. É uma experiência maravilhosa. Tente chegar de manhã bem cedo, e quando eu digo cedo, você tem que se levantar e sair da cidade às 4 horas da manhã. São apenas 60 minutos de carro, mas apreciar o nascer do sol no deserto é uma experiência mágica”, acrescentou.

Mar interior: água e areia se unem no deserto no Qatar

O Mar Interior ou Khor Al Adaid, como os qatarianos o chamam, é uma paisagem extraordinária em que as dunas e o mar se unem, formando uma cena difícil de esquecer.

Localizado no sudeste do país e reconhecido pela Unesco como a maior reserva natural do Qatar, abriga uma rica vida selvagem, marinha e vegetal. É possível encontrar tartarugas, flamingos e, com sorte, antílopes e camelos.

“O deserto fica de frente para o leste, então o sol nasce sobre a água. O normal é vivermos em cidades ou com montanhas por perto, mas isso é algo muito diferente”, disse Trenkel.

É uma paisagem única em que predominam zonas rochosas, planaltos erguidos por uma dunas em contraste movimento e natureza selvagem, que abre caminho exuberantemente em contato com a água.

O Mar Interior é uma grande baía de cerca de 15 quilômetros de norte a sul e até 12 quilômetros de leste a oeste ligada à Arábia Saudita através de um canal relativamente estreito. É de surpreender constatar que da costa do Qatar é possível ver, como uma miragem no deserto, a imensidão da vizinha Arábia Saudita.

A qualidade ambiental da região suporta uma variedade de espécies marinhas extraordinárias, muitas delas ameaçadas de extinção como os dugongos, um enorme animal vegetariano de cerca de 2,5 metros semelhante ao peixe-boi quando sai para respirar e põe sua enorme cabeça acima da superfície da lagoa.

À tarde, quando a maré baixa, o sol fica avermelhado, fazendo com que as dunas mudem de cor em um espetáculo que vale a pena curtir.

O deserto do Qatar e a alma beduína

O deserto e sua vegetação têm sido o lar de tribos beduínas, habitantes considerados a origem do povo árabe. A área foi outrora lar de colônias de agricultores e pescadores, um estilo de vida que hoje quase desapareceu completamente, com pequenas exceções de pastores de camelos que aproveitam as áreas do planalto com pastos.

“Para os habitantes locais, o deserto é algo especial. É o mais importante. Especialmente para os moradores locais que gostam de passar lá os fins de semana. E você encontra o que em termos locais são chamados de lojas pré-fabricadas. Então pense em um trailer: estacionam no deserto e montam tudo como se fosse um camping”, disse.

Famosas por se organizarem em famílias e viverem em tendas retangulares feitas de pelos de animais, as tribos beduínas se dedicaram a percorrer o deserto em busca de áreas para agricultura, adaptando-se aos movimentos das dunas e à disponibilidade de água.

É nesses locais que eles podem reviver sua essência nômade: “Esses acampamentos costumam funcionar de outubro ou novembro a março ou abril. É uma temporada de seis meses em que o clima é bonito e as pessoas gostam de curtir o deserto. Podem acender uma fogueira ou apenas aproveitarem o sossego com os amigos. Bebem chá ou karak (bebida típica do Qatar com chá, leite, especiarias e açúcar) ou café árabe”, contou.

É um momento tranquilo que pode ser usado para procurar o animal nacional do país, o antílope árabe, conhecido por sua pelagem branca e chifres longos e que pode passar semanas sem água potável.

Estes animais que andam livres graças, em parte, à chamada Operação Antílope, um projeto de conservação adotado no país para que eles sejam criados em cativeiro e soltos no deserto, algo que permitiu que haja mais de mil exemplares de antílopes selvagens na Península Arábica.

Quem quiser vê-los de perto sem os contratempos do deserto pode visitar o santuário Al-Maha, que permite aprender sobre seu modo de vida peculiar e fica apenas meia hora de carro a oeste de Doha. EFE