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Brasil mira Sudeste Asiático para aumentar fluxo comercial e de investimentos

São Paulo (EFE).– O Brasil, um dos maiores exportadores do mundo, busca diversificar seus mercados e ampliar sua competitividade para continuar crescendo no cenário global — e, para isso, tem como foco o potencial dos fluxos comerciais e de investimentos com o Sudeste Asiático.

Com uma zona de livre comércio formada por 11 países e mais de 690 milhões de habitantes, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) foi, em 2024, o terceiro destino das exportações brasileiras, com 7,8% de um total de 337 bilhões de dólares.

Embora as vendas brasileiras para a Asean tenham registrado crescimento médio anual de 17,3% — acima do avanço médio anual do total exportado pelo Brasil no mesmo período (8,8%) —, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o desempenho ainda está abaixo do potencial da região.

Em relação ao investimento estrangeiro direto no Brasil em 2024, 17,2 bilhões de dólares vieram de países da Asean, apenas 1% de tudo o que o bloco investiu em outras economias.

Diante desse cenário, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, afirmou em comunicado que é fundamental aproximar o país de parceiros estratégicos em um momento em que “as relações econômicas globais estão em plena transformação”.

“Não tenho dúvidas de que a tendência desse comércio é crescer. Há um horizonte enorme para investidores brasileiros na região — e também para os de lá no Brasil”, declarou o executivo em suas redes sociais.

DESAFIOS E OPORTUNIDADES

A agência identificou quase 2.000 oportunidades de exportação para produtos brasileiros dentro do bloco.

Com uma pauta ainda concentrada em commodities — sobretudo petróleo, minério de ferro e produtos agrícolas — o Brasil busca superar a 10ª posição entre os principais fornecedores estrangeiros da Asean.

“A ApexBrasil está empenhada em garantir que esse novo ciclo de oportunidades chegue a todas as regiões do país, inclusive à Amazônia”, destacou Viana.

Para isso, um dos principais desafios é superar a concorrência de China e Estados Unidos, que dominam setores estratégicos como petróleo combustível e farelo de soja, segundo estudo da própria agência.

Outro obstáculo relevante para que o Brasil alcance todo o potencial na região é a heterogeneidade do bloco, formado por países com níveis de renda, padrões regulatórios e burocracias bastante diferentes — o que exige estratégias específicas para cada mercado.

O relatório aponta que Singapura funciona como hub logístico; Vietnã e Tailândia são bases industriais; Indonésia e Filipinas são mercados de consumo de grande escala; e Malásia e Brunei têm renda média-alta com foco em tecnologia e energia.

UMA MISSÃO ESTRATÉGICA

Com o objetivo de fortalecer o papel do Brasil na integração econômica com a Asean, a ApexBrasil e o Ministério das Relações Exteriores realizaram, em outubro, uma missão empresarial à Indonésia e à Malásia, que contou também com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois de Singapura, Indonésia e Malásia são, respectivamente, os países mais estratégicos para o Brasil em termos de volume de investimentos, destino das exportações, presença empresarial e potencial de expansão futura.

Viana, que integrou a comitiva ao lado de cerca de 150 empresários brasileiros, classificou a viagem como uma “oportunidade única” de levar “a força e a diversidade do setor produtivo nacional para dialogar com governos e empresas locais, identificar parcerias e abrir portas para produtos”.

Nesse contexto, foi assinada em Jacarta uma parceria entre a Indonesia Energy Corporation (IEC), a Aguila Energia e Participações e a ApexBrasil para desenvolver projetos-piloto de geração híbrida de energia no Nordeste brasileiro, com investimentos imediatos superiores a 56 milhões de dólares.

“Essa parceria reflete o novo momento do Brasil como protagonista na transição energética e na economia digital”, afirmou Viana.

Durante o encontro na Indonésia, também foram firmados outros sete memorandos de entendimento entre entidades governamentais e empresas privadas dos dois países, abrangendo áreas como agricultura e pecuária, mineração e energia, ciência e tecnologia, geografia e estatística e investimentos.

“A aproximação entre Brasil e Indonésia, duas grandes economias do Sul Global, abre caminho para projetos inovadores, sustentáveis e estratégicos, capazes de gerar empregos, desenvolvimento regional e tecnologia limpa”, concluiu. EFE