BID ressalta volume recorde de financiamento e grande melhora de impactos em reunião anual

Luque (EFE).- O Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) iniciou nesta quarta-feira no Paraguai suas reuniões anuais destacando seu volume recorde de financiamento e uma melhora nos impactos de seus projetos graças a um novo marco que propõe desde acompanhamentos mais eficientes a novos instrumentos para gerir desastres naturais.

O presidente do Grupo, Ilan Goldfajn, lembrou que os US$ 35 bilhões de financiamento do ano passado representam um recorde histórico que representa mais de 50% em relação a 2022, mas ressaltou que “o que importa ainda mais é o impacto”.

Goldfajn explicou que o Escritório de Avaliação e Supervisão (OVE), o órgão independente para prestação de contas dentro do Grupo, determinou que 63% dos projetos do BID concluídos (16 pontos percentuais a mais que em 2024) receberam classificação positiva, proporção que no caso do BID Invest, braço voltado ao setor privado, foi de 68%.

Nesse sentido, o presidente do Grupo BID destacou o novo marco de Financiamento Baseado em Políticas que fortalece várias áreas, desde um melhor modelo das reformas e um acompanhamento “mais claro” dos resultados durante a implementação a avaliações macroeconômicas mais sólidas coordenadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Também são contempladas novas modalidades de financiamento, incluindo instrumentos de gestão do risco de desastres.

MAIOR RESILIÊNCIA PARA AS FAMÍLIAS

Um dos seminários realizados hoje no âmbito das reuniões anuais abordou a importância de gerar resiliência nas famílias da América Latina e do Caribe, região continuamente afetada por desastres naturais.

O fórum, que contou com a participação de Pricilla Santana, secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul, e Wayne Henry, presidente do Instituto de Planejamento da Jamaica, país mais castigado no ano passado pelo furacão Melissa, teve uma interessante apresentação de Alejandro del Valle, professor associado da Universidade de Georgia State (EUA).

Del Valle explicou que a prevenção de desastres pode se beneficiar de diferentes inovações, desde transferências antecipadas que ajudem as famílias a se protegerem quando houver previsão de tempestades potentes a orientações personalizadas em larga escala ou reconstrução voltada a reduzir a vulnerabilidade no futuro.

Por sua vez, durante o discurso que inaugurou as sessões hoje, Goldfajn destacou também a elaboração do novo Plano de Relacionamento com a Sociedade Civil pactuado em 2025 e que busca melhorar a comunicação com associações de cidadãos para aumentar a eficiência dos programas.

Goldfajn explicou que um ator independente, como a Escola de Serviço Internacional (SIS) da American University, realizou uma análise prévia para a nova estratégia que enfatizou a necessidade de, por exemplo, melhorar a comunicação e o acesso à informação.

Nessas reuniões anuais começa agora uma fase de “diálogo e cocriação” com o objetivo de dialogar até meados de 2026 e produzir um primeiro rascunho que será revisado e aperfeiçoado em um novo Fórum da Sociedade Civil no segundo semestre para que o novo Plano de Relacionamento esteja pronto no final do ano.

PROGRAMAS DE SEGURANÇA CIDADÃ

Por sua vez, a vice-presidente de Setores e Conhecimento do BID, Ana María Ibáñez, ofereceu uma entrevista coletiva para fazer um balanço do último ano com relação a outra iniciativa de 2025, quando o BID se tornou o primeiro banco multilateral de desenvolvimento a estabelecer uma divisão exclusiva focada em segurança cidadã.

Ibáñez ressaltou a complexidade do desafio em uma parte do mundo onde 50% dos crimes são oriundos de grupos organizados e onde as gangues estão se tornando cada vez mais transfronteiriças, o que faz com que a violência comece a crescer em países que até agora estavam mais livres deste tipo de atividade.

Segundo um estudo do BID, o crime representa uma carga econômica significativa – um custo de 3,44% do PIB de toda a região em 2022. Desde o ano passado, o Grupo se comprometeu a aportar US$ 2,5 bilhões em operações de segurança até 2028, com diferentes projetos já financiados em Equador, Peru e Uruguai. EFE