Marrocos passa pela Espanha nos pênaltis e vai às quartas da Copa pela 1ª vez

Doha (EFE).- O Marrocos se classificou nesta terça-feira pela primeira vez na história às quartas de final de uma Copa do Mundo, ao vencer a Espanha nos pênaltis após 120 minutos de bola rolando com o placar em branco no estádio Cidade da Educação, em Doha.

O goleiro Bono, que joga no espanhol Sevilla, defendeu duas cobranças, de Pablo Sarabia e Carlos Soler. Coube ao lateral-direito Achraf Hakimi, que nasceu na Espanha, fechar o placar da disputa de penalidades em 3 a 0 com uma cavadinha.

Esta foi apenas a segunda vez na história que a seleção marroquina disputava um jogo de eliminação direta em um Mundial, 36 anos depois da primeira, quando foi derrotada nas oitavas de final pela Alemanha.

No sábado, às 12h (de Brasília), os Leões do Atlas voltarão a campo para tentar aumentar ainda mais o feito e se tornar a primeira seleção africana a disputar uma semifinal da Copa, encarando o vencedor do duelo entre Portugal e Suíça, que jogam ainda hoje no estádio Lusail.

Jogo truncado

O panorama da partida ficou bem desenhado praticamente desde o apito inicial do árbitro argentino Fernando Rapallini. A Espanha fazia de tudo para ficar com a bola e ditar o ritmo do jogo, e o Marrocos reduzia espaços e buscava sair no contra-ataque.

O primeiro lance de perigo veio somente aos 12 minutos e na bola parada. Hakimi cobrou falta com veneno, mas a bola acabou saindo por cima do gol defendido por Bono.

Aos 25, em uma segunda cochilada do goleiro marroquino ao sair jogando, a bola sobrou para Torres na área. O atacante rolou para Gavi, que acertou uma bomba no travessão. O lance acabou invalidado, porque o atacante do Barcelona estava impedido.

Até o intervalo, as duas seleções até trocaram alguns golpes, mas nenhuma conseguiu assustar, de fato, a adversária.

Como na etapa inicial, o primeiro lance de perigo do segundo tempo veio na bola parada. Em lance de dois toques, Asensio pisou na bola, e Olmo bateu forte, obrigando Bono, um pouco assustado, a fazer boa defesa.

 Depois disso, a tendência de uma Espanha tocando e de um Marrocos fechado ficou mais intensa. As emoções foram desaparecendo da partida, enquanto a torcida dos Leões dos Atlas, em maioria no estádio Cidade da Educação vaiava o adversário.

A monotonia na etapa complementar só foi quebrada aos 51 minutos, quando Olmo cobrou direta falta da intermediária, a bola passou por toda a área e só parou em defesa de Bono.

Marrocos assusta

Com a igualdade no tempo normal, a partida foi para a prorrogação pela segunda vez nessa Copa, um dia depois da partida em que a Croácia venceu o Japão nos pênaltis, após empate em 1 a 1 ao longo de 120 minutos de bola rolando.

No primeiro tempo, o Marrocos assustou aos 5 minutos, quando foi Cheddira lançado, disparou, mas acabou sendo travado por Laporte antes de finalizar. O atacante, contudo, foi flagrado em posição irregular.

O jogador do Bari, que havia entrado em campo no fim do tempo regulamentar, apareceu bem outra vez aos 14 da etapa inicial, ficou frente a frente com Simón, mas bateu em cima do goleiro espanhol, que usou a perna para manter o placar em branco.

Na reta final da partida, claramente, os jogadores marroquinos davam sinais de exaustão, vários precisaram de atendimento. O zagueiro Saiss, inclusive, chegou a rejeitar ser substituído após apresentar dor muscular e precisou jogar com a coxa enfaixada.

Apática durante quase todo o jogo, a Espanha até tentou pressionar no fim da prorrogação. Aos 17, após bola alçada na área, Sarabia, que havia acabado de entrar, apareceu na pequena área e bateu de primeira, acertando a trave.

Bono brilha nos pênaltis

Nos pênaltis, o goleiro Bono brilhou, ao defender as cobranças de Soler e Busquetes. Além disso, Sarabia, que entrou somente para a disputa de tiros da marca fatal, acertou a trave.

Sabiri, Ziyech e Hakimi converteram três cobranças para o Marrocos, que teve apenas Benoun desperdiçando sua chance, ao parar na defesa de Simón.

Ficha técnica

Marrocos: Bono; Hakimi, Aguerd (El Yamiq), Saiss e Mazraoui (Attia Allah); Ounahi (Benoun), Amrabat e Amallah (Cheddira); Ziyech, Boufal (Ezzalzouli) e En-Nesyri (Sabiri). Técnico: Walid Regragui

Espanha: Simón; LLorente, Rodri, Laporte e Alba (Balde); Busquets, Gavi (Soler) e Pedri; Torres (Williams depois Sarabia), Olmo (Ansu Fati) e Asensio (Morata). Técnico: Luis Enrique

Árbitro: Fernando Rapallini (ARG), auxiliado por Juan Pablo Belatti (ARG) e Diego Bonfá (ARG)

Gols: Nos pênaltis: Sabiri, Ziyech e Hakimi (MAR).

Cartões amarelos: Saiss (MAR); e Laporte (ESP)

Estádio: Cidade da Educação, em Doha. EFE