Scaloni destaca “orgulho” de Messi por defender a seleção argentina

Doha (EFE).- Às vésperas da semifinal da Copa do Mundo do Qatar contra a Croácia, em Lusail, o técnico da seleção argentina, Lionel Scaloni, transmitiu serenidade nesta segunda-feira, reconhecendo o “orgulho e a vontade de jogar bola” de Lionel Messi, de quem destacou que é preciso “aproveitar” independentemente de ser seu último Mundial ou não, destacou que “o melhor descanso” de um jogo para o outro “é a vitória” e enfatizou que seu time joga “por e para todos os argentinos”.

Ele “não está surpreso” com a liderança ou a personalidade de Messi, a figura incomparável da equipe, com quatro gols e duas assistências, sobre a qual gira a seleção. “Eu o conheço e sempre foi assim. Não é mérito da comissão técnica, é mérito dele. Ele tem um orgulho e uma vontade de continuar jogando bola que eu invejo”, disse o treinador, durante entrevista no “estádio virtual” do Centro Nacional de Convenções do Qatar, para onde a coletiva foi transferida devido à grande expectativa da mídia.

Após a entrevista de Nicolás Tagliafico, que provavelmente será escalado na lateral esquerda na vaga de Marcos Acuña, suspenso, apareceu Scaloni. Ele falou mais sobre Messi. Sua última Copa do Mundo? “Vamos ver se ele continua jogando ou não. Ainda vamos aproveitá-lo, que é a melhor coisa que pode acontecer para nós e para o futebol. Se correr bem para ele, será bom para todos nós. Há ainda um longo caminho a percorrer, há um jogo muito difícil amanhã e vamos concentrar todas as nossas forças nisso”, enfatizou.

À frente, a semifinal. Ainda mais longe, o título mundial, se vencerem primeiro a Croácia e depois a decisão. “A ilusão é de todos os argentinos. Isso é evidente. Este time joga por e para eles, por suas famílias, pelo povo e agradecemos imensamente ao torcedor argentino que fez um esforço bárbaro, porque todos sabemos o quanto custa vir pra cá, e aqueles que estão na Argentina assistindo e sofrendo com os jogos. Esperamos dar o nosso melhor e depois o tempo dirá o que vai acontecer nesses jogos”, enfatizou.

“O objetivo é ir jogo a jogo. Nunca foi jogar os sete jogos. É ir jogo a jogo e não pensar além”, disse o treinador. “Não podemos pensar no que pode ser conquistado sem ter conquistado. O mais importante é o jogo de amanhã. Não penso muito em dizer que é uma Copa do Mundo, o que acontece se ganharmos ou não ganharmos. Tudo isso tira sua energia e não ajuda”, insistiu.

“É um prazer ver Modric jogar”

“Esperamos um jogo muito difícil, contra uma equipe que realmente podemos chamar de equipe, porque jogou como são, um grande grupo, um grande time, o que vai nos dificultar as coisas. Comparações com as outras Copas do Mundo não correspondem, porque todos os jogos são diferentes, mas estou convencido de que são uma grande equipe, com grandes jogadores e sobretudo com sentimento de grupo, que é o que realmente importa”, comentou o treinador, quando questionado sobre o confronto entre as duas seleções, na Copa da Rússia, em 2018, com vitória de 3 a 0 dos croatas.

Do outro lado, mais uma vez, estará Luka Modric: “É um prazer tê-lo em campo e vê-lo jogar. É um exemplo para muitos, não só pela sua qualidade como jogador, mas pelo seu comportamento, por tudo que ele transmite, como quando enfrentamos o Lewandowski. Quem ama futebol quer esses jogadores em campo”.

“A Croácia tem um jeito de jogar e não vai mudar. Não é nem defensiva nem ofensiva. Joga sempre igual, muito bem. Tem jogadores muito bons e é um time com muita tradição no futebol”, afirmou o técnico, advertindo que a seleção argentina também não mudará de identidade, independentemente do sistema que utilize, com cinco na defesa contra a Holanda e quatro nos demais confrontos anteriores.

“Não há melhor descanso do que o triunfo”

“Temos uma forma definida de jogar, embora tenhamos que ter em conta a forma como o adversário joga e as coisas que consegue fazer bem. Falamos dos jogadores, dos sentimentos que se pode ter de cada rival, mas a nossa a forma de jogar é a mesma, além do sistema de jogo. Será um pouco a cada momento do jogo para decidir bem. Esperamos fazer isso”, disse Scaloni, cuja equipe enfrenta o duelo três dias após a prorrogação contra a Holanda. Já a Croácia acumula dois tempos extras.

“Não há melhor descanso do que a vitória. Não há melhor maneira de enfrentar o próximo jogo do que ir para as semifinais, além da carga de minutos, mas estamos bem, estamos inteiros, temos jogadores suspensos (Marcos Acuña e Gonzalo Montiel) e que sim, é uma questão a resolver, mas, no geral, estamos bem”, disse o treinador.

A forma de abordar o trabalho psicológico de um jogo como esse também não muda nada: “Da mesma forma que agimos diante da Holanda, diante da Austrália, diante da Polônia, porque acabamos de fazer jogos importantes desde que perdemos para a Arábia. Não muda a sensação de que a partida é transcendental. Depois disso, acho que todos, pelo menos dentro da nossa concentração, sabem que é uma partida de futebol, que vamos tentar fazer o nosso melhor e que às vezes a sorte pode virar as costas para você como no outro dia durante 90 minutos”.

“Mas se fizermos o que temos que fazer, será mais fácil atingir nossos objetivos. Nos comportamos dessa mesma forma natural, sabendo que é muito importante para a felicidade das pessoas, mas sabemos que é um esporte e às vezes não ganha o melhor. Encaramos com total naturalidade”, completou Scaloni. EFE