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Borrell pede ao chanceler de Israel que não deixe que “a raiva o consuma”

Eshkol (EFE).- O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, que realiza nesta quinta-feira uma visita oficial a Israel, pediu ao ministro das Relações Exteriores daquele país, Eli Cohen, que não deixe que “a raiva o consuma” e que em “certo momento temos que ver como termina esta guerra”.

“Sinto seu medo e a sua dor e a das pessoas que foram atacadas, assassinadas. Compreendo sua raiva, mas deixe-me pedir-lhe que não deixe que a sua raiva o consuma”, disse Borrell durante entrevista coletiva.

“O que faz a diferença entre uma sociedade civilizada e um grupo terrorista é o respeito pela vida humana e todas as vidas humanas têm o mesmo valor”, acrescentou.

Esta é a primeira visita a Israel do chefe da diplomacia europeia desde que a escalada eclodiu em 7 de outubro.

Nesse dia, Israel declarou guerra ao Hamas após um ataque do movimento islâmico que incluiu o lançamento de foguetes e a incursão de cerca de 3 mil milicianos que massacraram mais de 1,2 mil pessoas e raptaram mais de 240.

Desde então, Israel lançou uma ofensiva militar aérea, terrestre e marítima contra a Faixa de Gaza que deixou mais de 11,5 mil mortos, quase 30 mil feridos, 3,4 mil desaparecidos e cerca de 1,7 milhão de pessoas deslocadas que vivem no meio do colapso de hospitais e uma crise humanitária devido à falta de água potável, alimentos, medicamentos, eletricidade e combustível.

Borrell fez estas declarações após visitar o kibutz Beeri, a cerca de 4 km da Faixa de Gaza, onde as autoridades israelenses lhe mostraram a destruição causada pelo ataque do Hamas e um habitante desta comunidade lhe contou como viveu a agressão brutal dos membros do Hamas.

A União Europeia (UE) “condena as ações do Hamas nos termos mais duros”, destacou Borrell, ao expressar que o bloco apoia “inequivocamente o direito de Israel de se defender em conformidade com as leis internacionais e as leis internacionais humanitárias”.

Da mesma forma, indicou que “nada justifica o que os terroristas do Hamas fizeram aqui e em outros lugares, nada justifica o sequestro de mulheres, crianças e idosos de suas casas e que tenham sido levados como reféns para Gaza”.

“Mais uma vez, em nome da UE, apelo à sua libertação imediata e incondicional”, disse.

“O Hamas tem de ser derrotado, mas o Hamas não representa o povo palestino. Sabemos que a guerra é horrível e o que vimos aqui é horrível. (Mas) um horror não justifica outro horror”, disse o chefe da diplomacia europeia, ao recordar que “civis inocentes, incluindo milhares de crianças” foram mortos ou forçados a abandonar suas casas.

Neste sentido, defendeu a entrada de mais ajuda humanitária à Faixa de Gaza, que até agora era insuficiente.

“A União Europeia apela ao acesso rápido e contínuo à ajuda humanitária”, bem como à criação de corredores humanitários, disse Borrell na conferência, que não permitiu perguntas.

O chefe da diplomacia europeia iniciou hoje em Israel uma viagem que o levará à Cisjordânia ocupada, Bahrein, Arábia Saudita, Catar e Jordânia para abordar o acesso humanitário à Faixa de Gaza e uma solução para o conflito através do diálogo.

“Precisamos de um horizonte político que olhe para a solução de dois Estados. Isto só pode ser conseguido através do diálogo”, indicou Borrell através de seu perfil na rede social X, ex-Twitter, pouco antes de embarcar na viagem.

Em março, Israel se negou a receber Borrell em uma visita oficial por suas posturas e declarações sobre a escalada de violência entre israelenses e palestinos.

Fontes oficiais israelenses explicaram então que, embora não tenha havido nenhum pedido formal por parte do alto representante para uma visita oficial ao Estado judeu, houve uma demonstração de intenção após a tomada de posse do novo governo de Benjamin Netanyahu.

Sem se referir a esta polêmica, Borrell iniciou sua intervenção com a afirmação de que Cohen o tinha convidado para visitar Israel em setembro, mas que naquela altura não imaginava que faria a visita nessas “trágicas circunstâncias”. EFE