Alejandra Arredondo.
Nashua (EFE).- O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump saiu triunfante nesta terça-feira das primárias de New Hampshire ao superar seu único obstáculo para consolidar seu controle sobre o Partido Republicano: a candidatura de Nikki Haley, que se apresenta como uma alternativa mais moderada
Enquanto se aguardam os resultados finais, que o secretário de Estado local poderá levar dias para divulgar, as projeções da imprensa dão ao ex-presidente uma vantagem de dois dígitos sobre a ex-embaixadora americana na ONU.
Com 91% dos votos contabilizados, Trump aparece com 54,6% do total, enquanto Haley tem 43,1%, segundo jornais como o “The New York Times”.
Embora apenas 22 delegados estejam em jogo nas primárias de New Hampshire, dos 2.429 que participarão em julho da Convenção Nacional Republicana, onde será confirmado o candidato presidencial, a disputa foi um teste importante para o poder de mobilização de Haley, que segue em questão.
A ex-diplomata, que trabalhou até 2018 no governo Trump, esperava obter um resultado forte no estado, onde os independentes e moderados representam mais da metade do eleitorado.
Embora tenha obtido mais votos do que o esperado, suas propostas não conseguiram repercutir entre os eleitores republicanos, entre os quais recebeu apenas 25% de apoio, de acordo com uma pesquisa de boca de urna divulgada pela emissora “CNN”.
Um Trump energizado
Cercado por um grupo de seus mais fervorosos apoiadores dentro do partido, incluindo o senador da Carolina do Sul Tim Scott e a legisladora Marjorie Taylor Greene, o ex-presidente zombou de Haley, chamando-a de impostora: «Ela tinha que vencer aqui e perdeu, foi muito, muito mal».
No lobby do hotel Sheraton em Nashua, onde a campanha de Trump alugou uma sala de eventos para celebrar a noite eleitoral, dezenas de seus seguidores ouviram com entusiasmo o discurso de vitória do ex-presidente.
“Vamos retomar a Casa Branca!”, gritou Dan, um carpinteiro de 55 anos, residente naquela cidade, que foi ao hotel vestido com camisa e boné vermelhos, estampados com o slogan de campanha Make America Great Again (Torne a América Grande Novamente, em português).
A corrida não acabou
Da sua sede de campanha em Concord, a cerca de 60 quilômetros de onde Trump comemorava, Haley felicitou o ex-presidente, mas avisou que ainda não desistiu.
“New Hampshire é a primeira (primária) do país, não a última”, destacou, minutos depois de os principais meios de comunicação americanos anunciarem as suas projeções.
“A corrida está longe de terminar. Restam dezenas de estados”, acrescentou a ex-embaixadora.
Haley concentrou os seus últimos discursos em New Hampshire em apresentar-se como uma opção conservadora, mas menos “caótica” que Trump, para aproveitar a rejeição à figura do ex-presidente.
Sua proposta repercutiu entre os independentes, entre os quais obteve 60% de apoio, mas não tanto entre os republicanos, com 25% dos votos neste grupo, segundo a já mencionada sondagem da “CNN”.
Biden, a barbada democrata
O presidente, Joe Biden, também venceu nesta quarta-feira as primárias do Partido Democrata em New Hampshire, apesar de não ter participado oficialmente. O atual governante mal precisou que 1% dos votos fossem contados para que emissoras como “NBC News” e “Fox News” lhe projetassem como vencedor claro.
Depois de saber da vitória de Trump, a campanha de Biden emitiu um comunicado afirmando que o ex-presidente já “praticamente garantiu” a candidatura: “Ele completou sua tomada do Partido Republicano”, comentou.
A próxima parada no processo das primárias republicanas será em Nevada, em 8 de fevereiro, enquanto no dia 24 do mesmo mês será a vez da Carolina do Sul, estado natal de Haley, onde ela espera ganhar impulso.
No caucus de Iowa na segunda-feira da semana passada, Trump ficou em primeiro lugar com 51% dos votos, seguido pelo governador da Flórida, Ron DeSantis (21,2%), que desistiu da disputa logo depois.
Haley ficou com 19,1%, seguida pelo empresário Vivek Ramaswamy, que também abandonou a corrida após conquistar apenas 7,7% dos votos em Iowa. EFE






