Jerusalém (EFE).- A escassez de água potável na Faixa de Gaza está desencadeando casos de diarreia e doenças de pele entre crianças e idosos, denunciou nesta segunda-feira a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) na região de Rafah, no sul do enclave palestino, onde está a maior parte da população deslocada.
“Quase 30% dos menores de idade tratados em nossos postos de saúde em Rafah têm problemas intestinais”, reportou Marina Pomares, diretora médica da MSF na Faixa de Gaza, que explicou que as crianças têm um sistema imunológico mais fraco do que os adultos e são mais suscetíveis a doenças e alergias.
MSF também alertou que a população tem apenas meio litro de água potável por dia, enquanto “em uma situação normal, uma pessoa precisa de dois a três litros”, disse Yousef al-Khisawi, agente de água e saneamento da organização.
“Agora, com a atual escassez, a média para uma família de seis pessoas é de apenas um galão de água (3,8 litros)”, explicou.
A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) alertou em um relatório recente que cerca de 70% dos habitantes de Gaza não tinham outra opção a não ser beber água salgada ou contaminada.
A escassez de água potável tem sido um problema para mais de dois milhões de habitantes da Faixa de Gaza desde o início da ofensiva israelense, em outubro do ano passado, após o ataque do Hamas que matou 1.200 pessoas, já que infraestruturas essenciais, como tubulações de água, reservatórios e estações de tratamento de esgoto, foram danificadas nos ataques.
De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), pelo menos metade das instalações de água e saneamento da Faixa foi destruída.
Na última semana, pelo menos 15 casos fatais de desidratação e desnutrição foram registrados somente no Hospital Kamal Adwan, no norte da Faixa de Gaza, além de outros dois no hospital Shifa, na Cidade de Gaza, devido à falta de recursos e de combustível para o funcionamento das instalações médicas.
Ao todo, em 150 dias de guerra, 30.534 pessoas morreram na Faixa e 71.920 ficaram feridas, de acordo com a última contagem geral do Ministério da Saúde do enclave. EFE