Washington (EFE).- O presidente americano, Donald Trump, acredita que o BRICS busca “minar” os interesses dos Estados Unidos, por isso vê como uma “medida necessária” a possível imposição uma tarifa adicional de 10% aos países que se alinharem ao grupo, explicou nesta segunda-feira a porta-voz do governo, Karoline Leavitt.
“O presidente considera, em geral, que o BRICS busca minar os interesses dos EUA. É sua máxima responsabilidade colocar os interesses americanos em primeiro lugar”, afirmou Leavitt a jornalistas na Casa Branca, horas depois de o mandatário ameaçar o bloco multinacional com impostos por meio de uma mensagem em sua plataforma Truth Social.
A porta-voz presidencial insistiu que Trump garantirá que seu país receba “um tratamento justo em nível mundial e tomará todas as medidas necessárias para evitar que outros países se aproveitem” do que Washington considera um desequilíbrio comercial em relação a seus parceiros estrangeiros.
Leavitt confirmou que o presidente dos Estados Unidos “está acompanhando de perto” a cúpula no Rio de Janeiro dos chefes de Estado e de governo do grupo, e negou que Trump veja um fortalecimento na aliança entre essas nações.
“Ele não vê esses países se fortalecendo. Ele simplesmente os vê como tentativas de minar os interesses dos Estados Unidos. E isso não lhe parece bom, independentemente do quão forte ou fraco seja um país”, indicou.
Trump anunciou no domingo que “qualquer país que se alinhar com as políticas antiamericanas do BRICS deverá pagar uma tarifa adicional de 10%”, uma política na qual “não haverá exceções”.
Diante da ameaça de Trump, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta segunda-feira que os membros desse fórum de países emergentes, ao qual seu país pertence, são soberanos e não desejam ter um “imperador”.
“Acho errado e irresponsável que um presidente de um país ameace os outros nas redes digitais. Existem outros fóruns em que um presidente de um país do tamanho dos Estados Unidos pode falar com os outros”, disse Lula ao encerrar a reunião de alto nível no Rio. EFE