EFE/ Ahmad Awad

OMS adverte que nível da fome na Faixa de Gaza continua inalterado após cessar-fogo

Genebra (EFE).- O nível de fome e desnutrição na Faixa de Gaza permanece inalterado, apesar do cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro, já que a ajuda alimentar que entra no enclave continua insuficiente, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira.

“A ajuda é significativamente baixa, não pode reduzir o nível de fome e a situação continua catastrófica porque não está chegando o suficiente”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em entrevista coletiva.

Tedros lembrou que entre 200 e 300 caminhões de ajuda entram em Gaza todos os dias, longe dos 600 necessários e acordados, e ressaltou que muitos deles são carregamentos comerciais.

“Muitas pessoas não têm dinheiro para comprar nada”, frisou.

Na mesma entrevista coletiva, o representante da OMS na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, Rik Peeperkorn, reconheceu que as chegadas de ajuda humanitária melhoraram desde o início do cessar-fogo, mas lembrou que a passagem de Rafah continua fechada, assim como outras passagens internas para levar assistência ao norte do enclave.

Peeperkorn e outros funcionários da OMS lembraram que pelo menos 411 habitantes da Faixa de Gaza morreram de desnutrição neste ano, incluindo 109 menores de idade (89 deles com menos de cinco anos), enquanto pelo menos 600.000 pessoas no enclave continuam sofrendo com níveis “catastróficos” de segurança alimentar.

Tedros enfatizou que as necessidades de saúde continuam enormes, após um conflito que deixou 170.000 feridos, incluindo mais de 5.000 amputados e 3.600 com queimaduras graves.

“Pelo menos 42.000 pessoas estão sofrendo de ferimentos que exigem uma longa reabilitação”, lembrou o diretor-geral, observando que 4.000 mulheres dão à luz todos os meses em condições inseguras, um milhão de pessoas precisam de cuidados de saúde mental e 14 dos 36 hospitais da Faixa de Gaza interromperam suas operações.

Embora a OMS tenha anunciado nesta quinta-feira as primeiras evacuações desde o cessar-fogo (41, todas de menores de idade), outras 15.000 pessoas precisam deixar Gaza para serem tratadas, disse Tedros, enfatizando que é especialmente importante que as entregas de pacientes para a Cisjordânia e Jerusalém Oriental sejam retomadas.

O chefe da OMS lembrou que a organização desenvolveu um plano de 60 dias para restaurar parcialmente os serviços de saúde em Gaza, a um custo de US$ 45 milhões, “mas para reconstruir completamente seu sistema de saúde serão necessários pelo menos US$ 7 bilhões”. EFE