Vladimir Padrino López. EFE/Miguel Gutiérrez

Venezuela diz se preparar para ação dos EUA que se aproxima “cada dia mais” de seu litoral

Caracas (EFE).- O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, garantiu que o país continua a se preparar diante de uma mobilização militar que se aproxima “cada dia mais” de seu litoral, em referência à presença naval dos Estados Unidos no mar do Caribe.

Padrino López afirmou que os militares venezuelanos se mantêm “inabaláveis, decididos e muito definidos a continuar a defender cada centímetro” do território nacional depois da notícia de que o Pentágono enviou para águas próximas da Venezuela o porta-aviões USS Gerald Ford, o maior da frota americana, em meio à tensão com Caracas.

“Estamos agora enfrentando a pior ameaça em mais de 100 anos, ameaça militar do destacamento aeronaval dos Estados Unidos, cada dia se aproximando mais da costa venezuelana. (…) Estamos nos preparando todos os dias”, declarou.

O ministro também afirmou que a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) e “todas as instituições do Estado” estão focadas na “defesa da nação” por considerar que está “realmente ameaçada” pelo que descreveu como “um destacamento inédito de meios aeronavais de uma das maiores potências do mundo do ponto de vista militar”.

“Nós estamos aqui a trabalhar, sem medo, sem receios, sem nos deixarmos intimidar, estamos a fazer o trabalho que corresponde porque o país precisa de seguir a sua marcha”, disse o militar, que acusou os EUA de estarem “assassinando pessoas extrajudicialmente no Caribe” e “no Pacífico” e sem mostrar provas sobre as acusações relacionadas com o narcotráfico.

O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, ordenou a transferência do porta-aviões e do seu grupo de ataque para a área de responsabilidade do Comando Sul dos Estados Unidos “em apoio à diretiva do presidente de desmantelar as organizações criminosas transnacionais”, explicou em comunicado o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell.

Segundo o porta-voz, esse destacamento “reforçará a capacidade dos Estados Unidos para encontrar, monitorar e desmantelar agentes e atividades ilícitas que comprometem a segurança e a prosperidade do território americano”.

O Gerald Ford e o seu grupo de ataque juntam-se desta forma ao contingente destacado pelo Pentágono no Caribe com o argumento de combater o narcotráfico. A mobilização inclui três navios de assalto e transporte anfíbio, aviões de combate F-35B, aviões de patrulha P-8 e drones MQ-9 que operam a partir de uma base em Porto Rico.

Na quinta-feira, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou que um amplo contingente militar do país foi enviado para o litoral para realizar exercícios que durarão 72 horas. EFE