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Zelensky revela que garantias de segurança estão prontas para conclusão com Trump

Berlim (EFE).- O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta quinta-feira que o rascunho sobre as garantias de segurança que os Estados Unidos dariam ao seu país, invadido pela Rússia, em caso de um cessar-fogo está pronto para ser finalizado entre ele e o mandatário americano, Donald Trump.

“O documento bilateral sobre garantias de segurança para a Ucrânia está agora essencialmente pronto para ser finalizado ao mais alto nível com o presidente dos Estados Unidos”, escreveu Zelensky na rede social X (ex-Twitter) após receber o relatório do secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, Rustem Umerov, sobre as negociações realizadas na quarta-feira em Paris com os emissários americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner.

Zelensky já havia dito na véspera que queria marcar em breve uma nova reunião com Trump e deu ordens à sua equipe de negociação, liderada por Umerov e pelo novo chefe de gabinete da presidência, Kyrylo Budanov, para que discutissem essa possibilidade na capital francesa com os representantes americanos.

Umerov confirmou após as reuniões em Paris que nelas foram discutidos em detalhe os pontos pendentes do plano de paz de 20 pontos para pôr fim à guerra russa e “foi dada especial ênfase aos possíveis contatos futuros em nível de líderes, com a participação da Ucrânia, dos parceiros europeus e dos EUA”.

Após a cúpula em Paris com cerca de 30 líderes europeus e de outros países que formam a Coalizão de Voluntários na terça-feira, Zelensky voltou a garantir que os documentos para pôr fim à guerra estão 90% prontos, ao mesmo tempo em que reiterou que os dois aspectos mais difíceis continuavam sendo as demandas territoriais da Rússia e o controle da usina nuclear ocupada de Zaporizhzhia.

Os documentos que estão em discussão são as garantias de segurança europeias, que incluirão uma força multinacional para a Ucrânia e a participação europeia na monitorização de um cessar-fogo e um mecanismo de verificação liderado pelos EUA, bem como o apoio contínuo às Forças Armadas da Ucrânia, entre outros aspectos; as garantias de segurança americanas; o plano de paz e a cooperação e recuperação econômica.

Quanto às garantias de segurança dos EUA, estas seriam, segundo Zelensky, semelhantes ao artigo 5º do Tratado da Otan de defesa mútua, deveriam ser aprovadas pelo Congresso para serem vinculativas independentemente de quem estiver na Casa Branca e, na opinião do presidente da Ucrânia, deveriam ir além dos 15 anos propostos por Trump para se estenderem por “30, 40 ou 50 anos”.

O presidente ucraniano enfatizou nesta quinta-feira a importância de “a Ucrânia estar unindo com sucesso os esforços das equipes europeia e americana” ao tratar dos documentos sobre recuperação e desenvolvimento econômico e “questões complexas” do plano de paz de 20 pontos, como a usina nuclear e os territórios ocupados pela Rússia no leste do país.

“A parte ucraniana apresentou opções possíveis para finalizar este documento. Entendemos que os Estados Unidos vão iniciar um diálogo com a Rússia e esperamos uma resposta sobre se o agressor está realmente disposto a pôr fim à guerra”, comentou Zelensky.

O chefe de Estado ucraniano ressaltou que os ataques russos “claramente não indicam que Moscou esteja reconsiderando suas prioridades. É necessário que a pressão sobre a Rússia continue aumentando com a mesma intensidade com que nossas equipes de negociação trabalham. A viabilidade das futuras garantias de segurança deve ser demonstrada pela capacidade de nossos parceiros de exercer pressão efetiva sobre o agressor nesta mesma etapa”, observou. EFE