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Agricultores protestam em toda a Polônia contra acordo com Mercosul

Cracóvia (EFE).- Milhares de agricultores poloneses iniciaram nesta sexta-feira passeatas em Varsóvia contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, uma mobilização que se estenderá a outras cidades e que conta com o apoio do presidente Karol Nawrocki e do governo do primeiro-ministro Donald Tusk, que se manifestaram contra o tratado.

Centenas de tratores que estavam estacionados nos arredores da capital polonesa dirigiram-se ao centro da cidade assim que foi divulgado o resultado da votação em Bruxelas, que deu luz verde à assinatura de um tratado comercial entre UE e Mercosul.

No entanto, as forças policiais impediram a entrada dos tratores no centro urbano, dada a proibição expressa do prefeito, que só autorizou uma manifestação a pé, o que, por sua vez, originou confrontos e incidentes violentos.

Durante o dia, e enquanto chegavam notícias de Bruxelas, vários integrantes do governo polonês reiteraram sua posição contrária à assinatura do tratado e, por exemplo, o ministro da Agricultura, Stefan Krajewski, afirmou que “o governo está com os agricultores”.

Enquanto isso, o porta-voz da presidência, Mateusz Kotecki, anunciou em entrevista coletiva que “o Palácio Presidencial dará apoio jurídico aos agricultores poloneses diante de possíveis provocações e para protegê-los”.

O presidente Karol Nawrocki, que se reuniu nesta manhã com vários representantes de sindicatos agrícolas, lembrou nesta sexta-feira que propôs uma lei “para manter a função produtiva do campo” e, além de propor reuniões mensais com grupos de agricultores e produtores agrícolas, anunciou que pretende recorrer ao Tribunal Constitucional para tentar impedir a aplicação do acordo com o Mercosul na Polônia.

A Polônia mantém uma postura de firme rejeição ao acordo comercial aprovado nesta sexta-feira em Bruxelas e é um dos países que votaram contra, juntamente com França, Irlanda, Hungria e Áustria.

O tratado UE-Mercosul, negociado ao longo dos últimos 25 anos, visa eliminar tarifas para facilitar o intercâmbio de produtos industriais europeus (como automóveis) por matérias-primas e produtos agrícolas sul-americanos. EFE