Cidade do Vaticano (EFE).- A líder opositora venezuelana, María Corina Machado, se encontrou nesta segunda-feira com o papa Leão XIV, no Vaticano, e pediu que ele intercedesse pelos presos políticos e pelo “avanço sem demora” da transição para a democracia na Venezuela.
“Hoje tive a bênção e a honra de poder compartilhar com Sua Santidade e expressar nossa gratidão por seu acompanhamento do que está acontecendo em nosso país”, disse a opositora e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz na rede social X (ex-Twitter) de seu Comando Nacional de Campanha.
“Também transmiti a ele a força do povo venezuelano, que se mantém firme e em oração pela liberdade da Venezuela, e pedi que intercedesse por todos os venezuelanos que permanecem sequestrados e desaparecidos”, acrescentou.
A audiência entre o pontífice e a líder opositora foi uma surpresa, mas foi confirmada pela Santa Sé em seu boletim diário.
O encontro aconteceu 10 dias após os Estados Unidos capturaram em Caracas o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores, e os levaram para Nova York para serem julgados por narcotráfico.
Machado defendeu a “legitimidade do presidente” Edmundo González Urrutia após “a ação cívica” das eleições de 28 de julho de 2024.
Após o encontro com o papa, a líder opositora também se reuniu com o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, que foi núncio na Venezuela entre 2009 e 2013.
A visita de María Corina Machado ao Vaticano aconteceu após o presidente americano, Donald Trump, ter falado sobre sua intenção de recebê-la, provavelmente nesta semana.
Leão XIV se referiu em várias ocasiões à crise na Venezuela, a última delas na última sexta-feira, durante longo discurso para o corpo diplomático com acesso à Santa Sé.
Nele, o papa pediu que se respeite a vontade do povo venezuelano e se busquem soluções pacíficas, longe de “interesses partidários”.
O Vaticano tem acompanhado atentamente a situação na Venezuela e o jornal “The Washington Post” publicou na última sexta-feira que o Estado Pontifício teria tentado negociar uma oferta de asilo na Rússia para Nicolás Maduro, antes de sua captura e detenção pelas forças americanas. EFE