Davos/Bruxelas (EFE).- A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assegurou nesta terça-feira que a resposta da União Europeia (UE) diante das pressões anexionistas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia será “firme, unida e proporcional”.
“Consideramos o povo dos Estados Unidos não apenas como aliados, mas como amigos. E nos arrastar para uma perigosa espiral descendente apenas ajudaria os adversários que ambos estamos tão empenhados em manter fora de nosso panorama estratégico. Nossa resposta será firme, unida e proporcional”, disse Von der Leyen em seu pronunciamento público no Fórum Econômico de Davos, na Suíça.
Von der Leyen também frisou a necessidade de ser “estratégico” na forma de abordar esta questão e afirmou que a Europa está “plenamente comprometida e compartilha os objetivos dos Estados Unidos” em matéria de segurança no Ártico, o que só pode ser alcançado “de forma conjunta”.
Nesse sentido, e diante do anúncio de Trump de aplicar tarifas adicionais de 10% aos países europeus que realizarem manobras militares na Groenlândia, a democrata-cristã alemã comentou que as taxas são “um erro, especialmente entre aliados de longa data”.
“A UE e os Estados Unidos estabeleceram um pacto comercial em julho do ano passado. E, tanto na política quanto nos negócios, um acordo é um acordo. Quando os amigos apertam as mãos, isso deve significar algo”, disse Von der Leyen, referindo-se ao pacto entre Washington e Bruxelas para que os bens produzidos na UE fiquem sujeitos a uma tarifa geral de 15% nos EUA.
A presidente da Comissão Europeia acrescentou que as atuais tensões podem ser superadas por meio da aproximação, mas garantiu que a UE mantém uma série de “princípios” sobre a questão, começando por mostrar “total solidariedade com a Groenlândia e o Reino da Dinamarca”.
“A soberania e a integridade de seu território não são negociáveis”, enfatizou.
Além disso, mencionou o “impulso de investimento europeu na Groenlândia” para apoiar a economia e as infraestruturas locais e, por fim, garantiu que o bloco comunitário trabalhará “com os Estados Unidos e com todos os parceiros em uma segurança ártica mais ampla”.
“Isso é claramente do nosso interesse comum, e aumentaremos nosso investimento. Em particular, creio que deveríamos utilizar o aumento dos gastos em defesa para desenvolver uma capacidade europeia de quebra-gelos e outros equipamentos vitais para a segurança do Ártico”, assinalou.
A presidente do Executivo europeu indicou ainda a necessidade de que todos os “parceiros regionais” contribuam para reforçar a segurança comum e disse que Bruxelas analisará como “fortalecer” parcerias de segurança com “o Reino Unido, Canadá, Noruega, Islândia e outros”.
Até o final deste ano, a Comissão Europeia apresentará uma “estratégia de segurança” na qual a visão sobre o Ártico será atualizada, informou Von der Leyen.
“No centro de tudo estará o princípio fundamental de que são os povos soberanos que devem decidir seu próprio futuro”, ressaltou, diante do influente fórum informal que se reúne anualmente na Suíça, onde Von der Leyen revisou as linhas políticas da Comissão Europeia.
“A Europa deve acelerar seu impulso rumo à independência, da segurança à economia, da defesa à democracia. O mundo mudou de forma permanente. E devemos mudar com ele”, finalizou. EFE