Estrasburgo (França), 22 jan (EFE).- A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, superou nesta quinta-feira uma nova moção de censura promovida pela extrema direita no Parlamento Europeu, a quarta desde o mês de julho do ano passado, que não obteve a maioria de dois terços do plenário necessária para derrubar o Executivo comunitário em seu conjunto.
Com 165 votos a favor, 390 contra e dez abstenções, o grupo Patriotas pela Europa fracassou em sua tentativa de derrubar a Comissão Europeia liderada por Von der Leyen por ter assinado o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que consideram contrário aos interesses dos agricultores europeus.
A moção de censura havia sido assinada por todos os eurodeputados do Patriotas e alguns dos Conservadores e Reformistas Europeus (ECR) e da Europa das Nações Soberanas (ESN), superando o requisito de 72 assinaturas (10% dos 719 eurodeputados) que a Eurocâmara exige para registrar uma moção de censura.
Muito mais complexo é conseguir os dois terços (480) necessários para que a proposta seja aprovada, algo que nenhuma das quatro moções de censura apresentadas contra Von der Leyen desde julho de 2025 conseguiu alcançar.
Hoje, os 165 votos a favor vieram dos promotores da moção, aos quais se somaram cerca de 20 eurodeputados não inscritos em nenhum grupo, vários ultraconservadores e uma dúzia de membros populares, social-democratas, liberais e da esquerda que contrariaram a orientação de seus grupos.
Populares, social-democratas, liberais, verdes e cerca de 30 deputados ultraconservadores reuniram a grande maioria de 390 votos contra, enquanto a Esquerda não participou da sessão de votação.
Entre os partidos espanhóis, votaram a favor da moção os eurodeputados do Vox, enquanto o restante votou contra ou não participou da sessão.
Desta vez, no centro da moção estava o acordo entre União Europeia e Mercosul, recém-assinado após mais de 25 anos de negociações, ao qual se opõem tanto os signatários da moção quanto os Verdes e a Esquerda.
“A UE e a Comissão encontram-se hoje mais fracas do que nunca devido à persistente falta de atenção da presidente para com nossos agricultores e cidadãos e à sua incapacidade de responder aos desafios mais urgentes da UE, entre eles o declínio da agricultura e das zonas rurais”, aponta a moção.
O chefe da delegação do Vox na Eurocâmara, Jorge Buxadé, criticou que Bruxelas tenha optado por impor o acordo com o Mercosul “a todo custo, sacrificando agricultores e pecuaristas em nome de uma agenda globalista alheia à realidade do mundo rural” e disse que os que votaram contra a moção “terão que explicar” por que mantêm Von der Leyen à frente do Executivo comunitário.
Apesar de esta moção não ter avançado, os detratores do acordo com o Mercosul conseguiram, ontem, paralisar sua ratificação no Parlamento Europeu com um recurso junto ao Tribunal de Justiça da UE, um passo que atrasa o trâmite do consentimento na Eurocâmara até que os juízes se pronunciem, em um prazo habitualmente entre 18 e 24 meses. EFE