Dmitry Peskov. EFE/Arquivo/YURI KOCHETKOV

Kremlin adverte Trump que assinar novo START será um processo “longo e difícil”

Moscou (EFE).- O Kremlin advertiu nesta quinta-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que a assinatura de um novo tratado de desarmamento nuclear, após a expiração do START III em 4 de fevereiro, será um processo “longo e difícil”.

“Fazer um novo será longo e difícil. Muitos fatores estão envolvidos”, disse o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, em sua entrevista coletiva telefônica diária.

Peskov recordou a postura expressada por Trump em sua recente entrevista ao jornal “The New York Times”: “O documento expira? Faremos um novo, que será ainda melhor”.

“Continuamos esperando, mas o prazo está terminando. Não houve resposta dos EUA”, acrescentou o porta-voz, em alusão à proposta apresentada em setembro de 2025 pelo líder russo, Vladimir Putin, de prorrogar por um ano a aplicação dos limites ao armamento estratégico previstos pelo START III.

Peskov também alertou que o fim do último tratado de desarmamento entre as duas potências nucleares cria “um déficit do ponto de vista jurídico nesse terreno”.

“Este será um déficit importante que dificilmente atenderá aos interesses dos povos de ambos os países e de todo o planeta Terra, já que falamos de estabilidade estratégica global”, argumentou.

Nesta segunda-feira, Dmitry Medvedev, vice-chefe do Conselho de Segurança da Rússia, lembrou a Washington que a proposta russa continua sobre a mesa.

“A realização da iniciativa russa poderia representar uma contribuição importante para garantir a segurança global e ampliar o diálogo estratégico com os EUA”, afirmou Medvedev ao jornal “Kommersant”.

Medvedev, que assinou o START III em 2010 em Praga junto ao então presidente dos EUA, Barack Obama, ressaltou que a retomada de uma cooperação “produtiva” em matéria de controle de armamento no futuro está diretamente relacionada à criação de “condições favoráveis para isso”.

Para começar, destacou, “antes de tudo, é necessária uma normalização básica das relações russo-americanas”.

“É preciso certificar-se de que Washington está efetivamente disposto, não apenas em palavras, mas na prática, a respeitar nossos interesses fundamentais no âmbito da segurança. E de que é capaz de trabalhar em um plano de igualdade na redução do potencial de conflito”, pontuou.

A esse respeito, salientou que os sinais provenientes de Washington “são claramente insuficientes”. Por isso, afirmou: “É melhor que não haja nenhum START IV do que um acordo que encubra a desconfiança mútua e provoque uma corrida armamentista em outros países”.

A Rússia suspendeu a aplicação do tratado em 21 de fevereiro de 2023, embora não tenha chegado a descartá-lo oficialmente, motivo pelo qual especialistas ocidentais não puderam inspecionar as instalações russas desde então.

O tratado limita o número de armas nucleares estratégicas a um máximo de 1.550 ogivas nucleares e 700 sistemas balísticos para cada uma das duas potências, em terra, mar ou ar. EFE