Teerã (EFE).- O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, anunciou nesta terça-feira que deu instruções para que seu país inicie negociações com os Estados Unidos, medida que ocorre sob as ameaças de uma intervenção militar por parte de Washington.
“Instruí meu ministro das Relações Exteriores para que, sempre que houver um ambiente adequado – livre de ameaças e expectativas irracionais -, busque negociações justas e equitativas, guiadas pelos princípios de dignidade, prudência e interesse próprio”, escreveu o governante iraniano na rede social X.
“Estas negociações serão realizadas dentro do marco de nossos interesses nacionais”, acrescentou Pezeshkian, que não mencionou explicitamente os Estados Unidos em sua publicação na rede social.
O presidente americano, Donald Trump, ordenou em janeiro o envio de uma frota da Marinha dos EUA ao Golfo Pérsico e alertou que atacará o Irã caso não seja alcançado um acordo que impeça a República Islâmica de desenvolver uma arma nuclear.
De acordo com meios de comunicação americanos como o portal “Axios” e o jornal “The New York Times”, o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, se reunirão na sexta-feira em Istambul (Turquia) para discutir um possível acordo nuclear.
O encontro também contaria com a participação dos ministros das Relações Exteriores de Turquia, Catar, Egito, Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão, segundo informou um funcionário do governo americano ao “Axios”.
Este seria o primeiro contato entre representantes de Washington e Teerã desde que as negociações foram interrompidas em junho do ano passado, após o início da guerra de Israel contra o Irã, na qual os Estados Unidos participaram com o bombardeio de três instalações nucleares iranianas.
Atualmente, os Estados Unidos mantêm posicionados o porta-aviões USS Abraham Lincoln e três destróieres de mísseis guiados, acompanhados por milhares de soldados adicionais, próximos às águas iranianas no Golfo Pérsico, depois que Trump afirmou que ajudaria manifestantes nos protestos que abalam o país persa.
Segundo o balanço oficial, esses protestos deixaram 3.117 mortos, enquanto ONGs de oposição como a HRANA, com sede nos EUA, situam o número em 6.842 falecidos, além de investigar outros 11.000 possíveis homicídios e mais de 40.000 prisões. EFE