Dmitry Peskov. EFE/Arquivo/ALEXANDER ZEMLIANICHENKO/AP POOL

Rússia e EUA defendem negociações imediatas para novo tratado nuclear, diz o Kremlin

Moscou (EFE).- O Kremlin assegurou nesta sexta-feira que tanto a Rússia como os Estados Unidos defendem a retomada o mais rápido possível das negociações sobre um novo tratado de desarmamento nuclear, após a expiração, na noite de ontem, do START III.

“Ambas as partes estão conscientes da necessidade de um início imediato das negociações sobre este tema”, disse o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, em sua entrevista coletiva telefônica diária.

Peskov confirmou que as duas potências realizaram consultas a esse respeito na quinta-feira em Abu Dhabi, onde abordaram a possibilidade de prolongar os limites contemplados pelo tratado e confirmaram que “assumirão posturas responsáveis”.

“Certamente, as cláusulas podem ser prolongadas de maneira formal”, disse o porta-voz, em alusão à proposta do presidente russo, Vladimir Putin, de estendê-las por um ano, no mínimo – à qual a Casa Branca nunca respondeu oficialmente.

O portal “Axios” informou na véspera que Moscou e Washington negociaram uma possível prorrogação por seis meses de tais limites.

Contudo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ontem à noite que deseja “um tratado novo, melhorado e modernizado” para substituir o START III (ou Novo START).

“Em vez de prorrogar o tratado ‘New START’ (um acordo mal negociado pelos Estados Unidos que, acima de tudo, está sendo violado flagrantemente), deveríamos encarregar nossos especialistas nucleares de trabalharem em um tratado novo, melhorado e modernizado que possa perdurar no futuro”, escreveu Trump em uma mensagem em sua rede social própria, a Truth Social.

Trump acrescentou em sua mensagem de hoje que “os EUA são o país mais poderoso do mundo” e que ele reconstruiu “completamente” as forças armadas durante seus dois mandatos, incluindo o desenvolvimento de “novas armas nucleares e muitas outras modernizadas”.

Destacou também a criação da Força Espacial, que desde seu primeiro mandato (2017-2021) tornou-se um dos oito ramos das Forças Armadas americanas, e assegurou ter “evitado que estourassem guerras nucleares no mundo entre Paquistão e Índia, Irã e Israel, e Rússia e Ucrânia”.

A Força Espacial é um dos órgãos encarregados do projeto Cúpula Dourada, um sistema complexo que o governo Trump pretende desenvolver para interceptar mísseis intercontinentais na órbita baixa terrestre.

Trump quer que a China – que já disporia de mais de 500 ogivas nucleares – participe das próximas negociações de desarmamento, algo a que Pequim se opõe, postura que é respaldada por Moscou.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia anunciou na quarta-feira que, a partir de agora, o país “já não se sente mais ligado” às obrigações contempladas no tratado assinado em 2010: um máximo de 1.550 ogivas nucleares e 700 sistemas balísticos em terra, mar ou ar.

Rússia e EUA “são livres para escolher seus próximos passos”, sentenciou a chancelaria russa.

O tratado foi assinado pelos então presidentes russo, Dmitri Medvedev, e americano, Barack Obama, em 8 de abril de 2010, em Praga, e renovado em fevereiro de 2021 por mais cinco anos. EFE