Viena (EFE).- A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nunca teve informações que indicassem que o Irã tinha um plano estruturado para construir uma bomba atômica, insistiu nesta terça-feira o diretor-geral da agência nuclear da ONU, o argentino Rafael Grossi.
“Temos que equilibrar as duas coisas. Sim, há muitos motivos de preocupação (sobre o programa nuclear iraniano), mas não haveria uma bomba amanhã nem depois de amanhã”, disse Grossi em entrevista à “CNN” de Viena, onde fica a sede da AIEA.
Estados Unidos e Israel justificaram seus ataques, em parte, com o argumento de que o Irã estaria tentando fabricar armas atômicas, algo que Teerã nega.
Questionado sobre se o Irã estava a dias ou semanas de poder construir essa arma, Grossi lembrou que a agência já havia afirmado no ano passado que não havia indícios nesse sentido.
“Nunca tivemos informações que indicassem a existência de um programa sistemático e estruturado para fabricar ou construir uma arma nuclear”, reiterou o diplomata argentino.
Grossi insistiu que havia motivos de preocupação, como o acúmulo “injustificado” de combustível nuclear para uso militar, a falta de transparência por parte do regime iraniano e a impossibilidade de inspecionar as instalações nucleares.
“Obviamente, há países — e este é o caso dos Estados Unidos, de Israel ou talvez de outros — que podem ter a impressão de que todas essas atividades estão diretamente voltadas para a fabricação de uma arma nuclear. Nós, da AIEA, não nos dedicamos a julgar intenções”, afirmou Grossi.
A AIEA vem alertando há anos que, sem a necessária colaboração do Irã e o acesso às instalações e documentos, não está em posição de garantir que o programa atômico iraniano seja totalmente pacífico, mas também deixou claro que não tem provas de que exista um plano para construir uma arma atômica. EFE