Ilan Goldfajn. EFE/Arquivo/Elvis González

BID se reúne no Paraguai com foco em impulsionar minerais críticos e concorrência regional

Washington (EFE).- O Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) inicia nesta quarta-feira suas reuniões anuais em Assunção, no Paraguai, com a meta de continuar consolidando os esforços de suas três entidades principais e de analisar grandes desafios para a América Latina e o Caribe, como a necessidade de criar cadeias de valor para a indústria de minerais críticos e a de estimular a concorrência regional.

As reuniões, que ocorrerão até o próximo sábado (14), chegam, segundo afirmou à EFE o presidente do BID, Ilan Goldfajn, “com o pano de fundo de um ano recorde”.

“Nosso financiamento para a América Latina e o Caribe alcançou US$ 35 bilhões em 2025, dos quais US$ 13 bilhões foram para o setor privado”, disse o ex-presidente do Banco Central entre 2016 e 2019.

Goldfajn destacou o “forte interesse” que o evento gerou também entre o setor privado, já que entre os mais de 4 mil participantes procedentes de 48 países previstos, cerca de 1.580 correspondem ao ambiente empresarial, incluindo mais de 300 diretores-executivos e mais de 750 executivos de alto escalão.

O presidente do BID ressaltou, ainda, que esses programas aprovados no último ano tiveram um impacto maior, já que graças a eles cerca de 34 milhões de pessoas receberam serviços de saúde e nutrição, 2,6 milhões obtiveram acesso a serviços de banda larga e foi dado apoio a 3,3 milhões de “micro, pequenas e médias empresas”.

Em relação às sessões plenárias das Assembleias de Governadores que ocorrerão nos próximos dias 13 e 14, Goldfajn destacou que continua a haver “avanços na implementação do BIDImpact+”, o marco aprovado nas reuniões anuais de 2024 para integrar mais o trabalho das três entidades que compõem o Grupo: BID, focado no setor público; BID Invest, que trabalha com o setor privado; e BID Lab, seu braço de inovação e empreendedorismo.

O plano passa por armar e ativar uma nova estratégia institucional que aumente o impacto e a escala em termos de desenvolvimento, por completar o aumento de capital de US$ 3,5 bilhões para o BID Invest, que busca “mobilizar investimento privado em escala”, e pela reposição de recursos do BID Lab.

Bons presságios para minerais críticos

Ao longo dos quatro dias dessas reuniões anuais, serão realizados seminários para analisar grandes desafios regionais, começando pelo potencial apresentado pela indústria de minerais críticos.

A América Latina é um ator fundamental no que se refere aos minerais considerados essenciais para a indústria tecnológica ou energética, desde o cobre e o níquel até as terras raras, dos quais chega a deter em determinados casos mais de um terço da reserva mundial.

Da mesma forma, espera-se que a demanda por elementos como o lítio, cujas maiores reservas mundiais ficam na Bolívia, no Chile e na Argentina, dispare enormemente nos próximos anos.

Isso oferece uma grande oportunidade, mas apresenta, por outro lado, a necessidade de não focar exclusivamente na extração e em conseguir atrair novos investimentos para criar cadeias de valor que façam dessa indústria um motor de crescimento sustentável e mais inclusivo.

Outra sessão de análise e debate se concentrará em uma das grandes tarefas que o BID apontou como indispensável para que a América Latina e o Caribe possam impulsionar a produtividade, aumentar salários e controlar a inflação: a necessidade de ampliar a concorrência para reduzir a enorme concentração registrada em seus mercados.

Os requisitos para uma maior integração regional, as oportunidades de crescimento apresentadas pelo rápido envelhecimento da região ou as perspectivas de maiores investimentos após a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) também terão espaço nas sessões em Assunção.

Goldfajn destacou que o Paraguai “é um anfitrião muito oportuno”, que “viveu uma transformação notável com o Grupo BID como parceiro do país nessa trajetória” e “ganhou impulso graças ao setor privado”.

“É um exemplo importante, porque acreditamos que o setor privado é fundamental para fechar as lacunas de desenvolvimento, enquanto o setor público oferece as condições habilitadoras. O desenvolvimento necessita do setor privado para somar escala, inovação, emprego, e isso se consegue com instituições sólidas e políticas críveis”, concluiu. EFE