BID inicia reuniões anuais projetando uma cooperação mais ágil com a sociedade civil

Luque (EFE).- O Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) iniciou nesta quarta-feira no Paraguai suas reuniões anuais de 2026 enfatizando seu trabalho conjunto com organizações civis e a importância de aprofundá-lo e refiná-lo ainda mais para alcançar uma melhor compreensão das problemáticas das comunidades que são o foco de seus projetos de impulso econômico.

“Queremos reservar um tempo para ouvi-los: o que podemos fazer melhor, o que estamos fazendo bem e quais temas os preocupam”, afirmou, dirigindo-se às organizações da sociedade civil presentes, o presidente do Grupo BID, Ilan Goldfajn, em seu discurso de abertura do evento.

Goldfajn lembrou que desde 2025 o Grupo está traçando um novo Plano de Relacionamento com a Sociedade Civil que a entidade e diferentes atores do chamado terceiro setor estão desenvolvendo conjuntamente.

O presidente do BID congratulou-se pela participação nas reuniões anuais de 60 organizações de cidadãos, incluindo várias que representam povos indígenas, afrodescendentes e comunidades tradicionais.

“Vocês fazem parte dos nossos projetos, das nossas estratégias e da maneira como operamos como instituição. Ajudam-nos a compreender melhor as realidades da América Latina e do Caribe e nos estimulam a ser mais eficazes e responsáveis”, assegurou.

Estudo independente

Goldfajn explicou que, para criar o novo Plano de Relacionamento, recorreu-se a um estudo aprofundado realizado por um ator independente, neste caso a Escola de Serviço Internacional (SIS) da American University, que destaca as áreas que exigem maior trabalho, principalmente comunicação e acesso à informação.

Segundo o presidente do Grupo BID, o estudo reforça a ideia de que a “sociedade civil não deve ser vista apenas como um ator que recebe informações, mas como um aliado no design e na implementação de projetos e iniciativas” e que o diagnóstico compartilhado é de que o novo plano cria “uma oportunidade para construir uma relação mais estruturada, contínua e eficaz, com expectativas mais claras e um melhor acompanhamento”.

Nessas reuniões anuais, acaba de começar a fase de “diálogo e cocriação” do novo Plano de Relacionamento, com o objetivo de manter conversas até meados de 2026 para produzir um primeiro rascunho da nova estratégia.

Para o segundo semestre está prevista a convocação de outro Fórum da Sociedade Civil para revisar e aperfeiçoar conjuntamente o referido rascunho, com a ideia de que o novo plano esteja pronto para o final do ano, frisou Goldfajn.

O ex-presidente do Banco Central brasileiro não quis deixar de fora de sua apresentação exemplos claros de como o diálogo direto com as comunidades é fundamental para tornar os impactos dos programas da entidade muito mais eficientes, e falou sobre a reabilitação de uma rodovia em uma área com grandes desafios de acesso na região indígena Ngäbe-Buglé, no Panamá.

Goldfajn explicou que neste projeto foi aplicada a “etnoengenharia, uma abordagem que incorpora o conhecimento tradicional indígena no design técnico” e que, por meio do diálogo com representantes da sociedade local, foram introduzidas “considerações culturais no design” em linha com as necessidades dos habitantes da região.

“O resultado foi um projeto sustentável, com forte apropriação comunitária e benefícios de desenvolvimento mais amplos, incluindo um melhor acesso a serviços e maior mobilidade”, concluiu o presidente do Grupo.

Em painéis posteriores, James Scriven, gerente geral do BID Invest, o braço do Grupo dedicado ao setor privado, enfatizou a importância dos contatos com a sociedade civil na fase inicial de qualquer projeto e lembrou que, embora o Grupo BID tenha escritórios em seus 26 países membros tomadores de empréstimos na América Latina e no Caribe, “as organizações civis sempre entendem melhor o que acontece no terreno”.

Por sua vez, a diretora da associação mexicana Coesão Comunitária e Inovação Social, Suhayla Bazbaz, destacou a importância de respeitar a autonomia e a livre determinação de cada comunidade particular e de “diversificar o conceito de desenvolvimento” para cada uma delas, já que algumas podem exigir financiamento direto e outras não, e cada uma requer, além disso, atores muito específicos para executar projetos.

Por sua vez, Mariana Franco, secretária-executiva da Redes Chaco, agrupamento de organizações civis sediado no Paraguai mas focado em todo o Gran Chaco, sublinhou a máxima de que “as soluções sempre têm que estar baseadas no território e de que o território também é capaz de inovar”. EFE