Alberto Fernández pede convivência democrática após ser vaiado em ato

Buenos Aires (EFE).- O presidente da Argentina, Alberto Fernández, pediu nesta quarta-feira o restabelecimento da “convivência democrática” em seu país, após ser vaiado por um grupo de pessoas em um ato realizado na cidade de Los Cardales, na província de Buenos Aires.

O governante argentino, que visitou este município para inaugurar um hospital modular, foi alvo de vaias durante vários minutos no início do seu discurso, diante dos olhares de espanto dos demais participantes do evento.

Segundo indicou o próprio Fernández, as queixas dessas pessoas se deviam ao “uso de agrotóxicos”, tema que está sendo debatido no mundo, mas que, nas palavras do presidente, deve ser abordado “dessa maneira”.

“Uma das coisas que temos que aprender é falar em voz baixa, colocar nossas diferenças em voz normal, sem a necessidade de nos maltratarmos. Já nos maltratamos demais como país”, disse o chefe de Estado, sob aplausos do público mais próximo ao palco.

O presidente argentino aproveitou a situação para expressar seu desejo de “recuperar a convivência democrática” na Argentina, citando os recentes acontecimentos que convulsionaram o Brasil e o Peru.

“Agora que vemos o que aconteceu no Brasil e vemos o que está acontecendo no Peru, vamos reconstruir a convivência democrática vivendo na diversidade. Nem todos temos que pensar igual”, enfatizou.

“Tenho certeza que o companheiro que reclamou do uso de agroquímicos estava fazendo isso honestamente, da maneira errada, mas honestamente. Tenho certeza que ele acredita nisso e talvez devêssemos ouvi-lo, mas não devemos fazer dessa maneira. Temos que diminuir os gritos e nos ouvir um pouco mais”, reiterou.

Ao encerrar seu discurso, Fernández destacou que os argentinos são “o povo mais resiliente do mundo”, capaz de se levantar “mil vezes depois de ter enfrentado mil problemas”, e ressaltou que foram lançadas as bases para que a economia mantenha seu crescimento nos próximos anos.

“Sejamos capazes de projetar a casa em que vamos morar no futuro e, nessa casa, sejamos capazes de silenciar vozes altas, de dizer a quem insulta ‘não precisa insultar’, sejamos capazes de nos ouvir na diferença e voltar a nos unir”, concluiu o presidente, que enfrenta o último ano de mandato sem ter definido ainda se tentará a reeleição. EFE