Argélia lança campanha contra cores do arco-íris por violar moralidade

Tunes (EFE).- A Argélia lançou nesta terça-feira uma campanha de sensibilização contra produtos que contenham “cores e símbolos” que considera “prejudiciais aos valores morais da sociedade argelina” e anunciou severas sanções aos importadores.

A decisão, em notória alusão à bandeira do arco-íris como símbolo da comunidade LGBTQIA+, ocorre após a polêmica sobre as braçadeiras na Copa do Mundo do Qatar, e o confisco nos controles de fronteira de itens com desenhos “contra a religião”.

Segundo o Ministério do Comércio argelino, no ano passado foram apreendidas na alfândega 38.542 unidades, “entre material escolar e brinquedos infantis”, além de 4.561 exemplares do Corão, livro sagrado para os muçulmanos, que continham “cores” nocivas.

As autoridades alertaram hoje que “serão firmes com cada operador econômico que venda estes artigos” e que reforçarão os controles aduaneiros com “sanções muito severas contra os importadores”.

O ministro do Comércio e da Promoção de Exportações, Kamel Rezig, apresentou hoje a campanha dirigida a empresas e consumidores sob o lema “Proteja a sua família… Cuidado com os produtos com cores e símbolos que violem os nossos valores morais”.

O Sindicato Geral dos Comerciantes e Artesãos e a Federação dos Consumidores participam desta campanha que inclui atividades nas escolas para ensinar a distinguir entre as “sete cores do espectro” do arco-íris e a dos “símbolos”.

A lei argelina criminaliza a indecência pública e as relações sexuais consensuais entre pessoas do mesmo sexo, com penas de até seis anos de prisão. EFE