Biden corteja África com investimentos em comércio, internet e meio ambiente

Washington, 14 dez (EFE).-  O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quarta-feira investimentos substanciais para melhorar o comércio com a África e investir em projetos de conexão à internet e na luta contra a mudança climática, na tentativa de cortejar o continente africano após anos de descaso.

Biden falou hoje em um fórum de empresas americanas e africanas durante a cúpula de três dias em Washington com 49 líderes do continente africano.

“Os Estados Unidos estão totalmente envolvidos no futuro da África”, disse Biden, que não mencionou a China nenhuma vez em seu discurso, país que se tornou o principal parceiro comercial do continente africano e que passou anos cultivando laços com os líderes da região.

Biden quis aproveitar a cúpula para reativar a relação dos Estados Unidos com África após os anos de inércia do seu antecessor, Donald Trump (2017-2021), que em 2018 chegou a chamar Haiti, El Salvador e vários países africanos de “buracos de merda”.

“Quero enfatizar a importância de êxitos e oportunidades compartilhados porque quando a África é bem-sucedida, a América é bem-sucedida e, honestamente, todo o planeta é bem-sucedido”, destacou.

Um discurso repleto de anúncios

Biden fez vários anúncios durante seu discurso. O mais importante foi a assinatura de um memorando de entendimento entre os Estados Unidos e os países da União Africana (UA), agrupados na Área Continental Africana de Livre Comércio, com o objetivo de impulsionar o crescimento econômico do continente.

Uma vez concretizado, este acordo criará um mercado de 1,3 bilhões de pessoas e US$ 3,4 bilhões, o que tornaria os países da União Africana a quinta maior economia do mundo, detalhou a Casa Branca em comunicado.

Além disso, Biden anunciou mais de US$ 500 milhões para melhorar a infraestrutura na África, especialmente para a construção e manutenção de estradas que ligam os países do interior do continente aos portos marítimos.

Os recursos virão da Millennium Challenge Corporation (MCC), agência independente do governo dos Estados Unidos que busca reduzir a pobreza no mundo.

Da mesma forma, Biden anunciou um pacote de US$ 369 milhões para projetos destinados a melhorar a segurança alimentar na África, investindo em energia renovável e projetos de saúde.

O presidente disse ainda que vai trabalhar com o Congresso americano, responsável pelo orçamento, para investir US$ 350 bilhões na “transformação digital” da África com o objetivo de melhorar a conexão à internet.

A última cúpula entre os EUA e os países da União Africana foi em 2014, sob o governo do então presidente Barack Obama (2009-2017), o primeiro afro-americano a chegar à Casa Branca e que despertou grandes esperanças no continente, embora tenha acabado por diminuir a ajuda à África, sobretudo na luta contra a aids. EFE