Biden discursa na COP27: “Todos têm que agir”

Sharm el Sheikh (EFE).- O presidente americano, Joe Biden, afirmou nesta sexta-feira, durante sua participação na cúpula do clima COP27, que “os Estados Unidos estão agindo e todos têm que agir” na luta contra a mudança climática e comentou que “se o carvão pode ser financiado nos países em desenvolvimento, não há razão para não financiar energia verde”.

“Para dobrar a curva de emissões, todos os países têm que agir. Nesta reunião devemos renovar e elevar nossas ambições climáticas. Os EUA estão agindo, todos têm que agir. É um dever e responsabilidade da liderança global. Países que estão em posição de ajudar deveriam estar ajudando os países em desenvolvimento para que possam tomar decisões climáticas decisivas”, disse Biden.

O governante americano, que antes de seu discurso teve um encontro com o presidente egípcio, Abdul Fatah al Sisi, aproveitou para apresentar alguns dos planos de ação climática empreendidos por seu governo e se desculpou por seu país ter se retirado dos Acordos de Paris sob a presidência de seu antecessor, Donald Trump.

“Hoje, finalmente, graças às ações que tomamos, posso estar aqui como presidente dos EUA e dizer que cumpriremos nossos compromissos de emissões até 2030. Levantamos voo para fazer nossa parte, para evitar o inferno climático sobre o qual fomos alertados ​​apaixonadamente pelo secretário-geral das Nações Unidas no início desta semana”, destacou.

O discurso do presidente dos EUA esteve repleto de referências à emergência climática e à necessidade de “trabalhar juntos” para enfrentar os problemas causados ​​pelo aquecimento global.

Nesse sentido, denunciou expressamente o ataque da Rússia à Ucrânia como gerador de um “transtorno” mundial que exacerba a escassez de alimentos, os picos de energia e a volatilidade dos mercados energéticos, “aumentando a inflação global”.

Guerra da Ucrânia reforça necessidade de transição energética

“Dado este cenário, a guerra russa só reforça a urgência da necessidade de transição energética para longe dos combustíveis fósseis. A segurança energética de cada nação se beneficiará de um futuro energético limpo e diversificado”, acrescentou.

Biden delineou perante o público da COP27 algumas das medidas para promover as mudanças climáticas, tanto domésticas quanto de apoio aos países em desenvolvimento, como a duplicação do compromisso dos EUA com o Fundo de Adaptação em até US$ 100 milhões ou a entrega de US$ 150 milhões em ajuda para acelerar o Plano Emergencial do Presidente para Adaptação e Resiliência (PREPARE) na África.

Além disso, anunciou ajuda ao Egito para ajudar a acelerar a transição ecológica do país árabe e ajudá-lo a desenvolver 10 gigawatts (GW) de energia eólica e solar, além de desativar 5 GW de geração ineficiente usando gás natural.

Os Estados Unidos prometeram ainda fortalecer as regulamentações nacionais propostas sobre o metano no setor de petróleo e gás para que as emissões desse gás de efeito estufa no país caiam 87% em relação a 2005.

“Os desafios são grandes, mas nossa capacidade é maior que o desafio. Então vamos colocar o futuro em nossas mãos e fazer o mundo que queremos (…) Para ter um futuro mais próspero e igualitário. Por isso estamos aqui e podemos fazê-lo. Tenho certeza”, concluiu Biden. EFE