Boluarte reitera proposta de antecipar eleições: “Não há espaço para medo”

Lima (EFE).- A presidente do Peru, Dina Boluarte, afirmou nesta quinta-feira que em seu país “não há espaço para o medo” e ratificou sua proposta de antecipar as eleições gerais para atender à demanda da população após a fracassada tentativa de golpe que levou à destituição do ex-presidente Pedro Castillo.

“Aqui não há espaço para o medo, mas para a coragem”, enfatizou Boluarte na cerimônia de encerramento do ano acadêmico da Força Aérea do Peru (FAP), na qual ratificou a proposta de seu governo de antecipar as eleições e invocou o Congresso “a tomar as melhores decisões”.

Boluarte se pronunciou assim no mesmo dia em que o Congresso se reúne em plenário para analisar os projetos de antecipação das eleições, inclusive um apresentado pelo Executivo para que as eleições gerais sejam realizadas em abril de 2024.

A presidente acrescentou que “apesar dos últimos acontecimentos”, sobre os quais disse que “violentos disfarçados de manifestantes tentaram colocar (o Peru) em perigo”, e reafirmou “seu compromisso de trabalhar pela segurança de todo o país”.

“Nem a violência nem o radicalismo vão acabar com um governo legal e legítimo. Não há espaço para medo, mas para coragem, união e esperança de um país que merece mais de seus políticos”, acrescentou.

Congresso analisa projetos

O plenário do Congresso analisa nesta quinta-feira as propostas de antecipação das eleições que recebeu, em uma sessão para a qual convidou o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, José Tello.

O governo formalizou na segunda-feira perante o Congresso um projeto de lei que propõe a antecipação das eleições gerais para abril de 2024, que foi entregue com as assinaturas da presidente Boluarte e de seu primeiro-ministro, Pedro Angulo.

O projeto detalha que esse prazo “deve servir também para aprovar, se for o caso, as reformas constitucionais referentes ao regime político peruano” e destaca que “é urgente fazer mudanças democráticas e constitucionais no Congresso, obedecendo fundamentalmente ao sentimento da população”.

No entanto, Boluarte disse na quarta-feira que agora propôs que as eleições sejam realizadas em dezembro de 2023 e acrescentou que, em uma reunião que teve na terça-feira com o Conselho de Estado, foram feitos “reajustes” indicando que as eleições poderão ser realizadas nessa data.

O Peru enfrenta violentas manifestações e protestos que exigem eleições antecipadas, o fechamento do Congresso e a convocação de uma Assembleia Constituinte, e deixaram, até agora, oito mortos, mais de 70 presos e 200 policiais feridos, principalmente nas regiões de Apurimac e Arequipa, no sul do país.

Boluarte assumiu o cargo para substituir Pedro Castillo, destituído há uma semana pelo Congresso depois de ordenar a dissolução do Parlamento, anunciar a formação de um Executivo emergencial, que governaria por decreto, convocar uma Assembleia Constituinte e reorganizar o Judiciário. EFE