Castillo ratifica solicitação de asilo ao governo do México

Cidade do México, 8 dez (EFE).- O ex-presidente peruano Pedro Castillo ratificou nesta quinta-feira ao embaixador mexicano no Peru, Pablo Monroy, a solicitação de asilo ao governo do México.

A informação foi divulgada pelo ministro das Relações Exteriores mexicano, Marcelo Ebrard, em mensagem no Twitter, na qual acrescentou que o México iniciou conversas com as autoridades peruanas para realizar os procedimentos de asilo.

“O embaixador Pablo Monroy me informa de Lima que pôde se encontrar com Pedro Castillo no Centro Penitenciário. Ele o encontrou fisicamente bem e na companhia do seu advogado. Procedemos ao início de consultas com as autoridades peruanas”, escreveu Ebrard.

Pedro Castillo anunciou na quarta-feira passada a dissolução do Congresso e o estabelecimento de um governo de exceção, o que foi amplamente interpretado como um golpe de Estado, motivo pelo qual foi destituído por incapacidade moral pelos congressistas.

Na sequência, Castillo foi detido e transferido para uma prisão em Lima, onde um juiz da Suprema Corte ordenou que ficasse durante sete dias na quinta-feira.

A ex-vice-presidente de Castillo, Dina Boluarte, assumiu a presidência do país na quarta-feira.

Ebrard anexou à sua mensagem a carta enviada pelo advogado de Castillo ao presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, na qual pedia asilo para o ex-mandatário peruano “diante da perseguição infundada por órgãos judiciais que assumiram um caráter político”.

“Estes órgãos criaram um clima de extrema indefensabilidade e perseguição puramente política de qualquer pessoa que pense de forma diferente do grupo oligárquico que reina sobre todas as instituições do país”, continuou. Além disso, observou que Castillo está em “grave risco”.

López Obrador revelou nesta quinta-feira, em entrevista coletiva matinal, que Castillo telefonou para pedir asilo na Embaixada do México no país andino.

“Ele falou aqui com o gabinete para me informar que ia até a embaixada, que pediria asilo e para que abrissem a porta da embaixada, mas certamente já tinham grampeado o telefone”, disse López Obrador.

O mandatário mexiano disse que instruiu Ebrard a falar com o embaixador mexicano no Peru e abrir a porta para Castillo para pedir asilo.

“Mas pouco tempo depois, assumiram a embaixada com a polícia e cidadãos, cercaram a embaixada. E ele nem conseguia sair, foi detido imediatamente”, relatou.

Além disso, López Obrador atrasou o reconhecimento de Boluarte, após a destituição de Castillo na quarta-feira. O presidente mexicano respondeu que “não sabe” se as boas relações com o novo governo peruano vão continuar, mas excluiu uma ruptura.

“Não sabemos (como serão as relações), mas vamos esperar alguns dias, penso que é a coisa mais apropriada a fazer, não é nosso propósito intervir nos assuntos internos. Lamentamos muito, sim, que estas coisas aconteçam”, opinou. EFE