Miguel Diaz-Canel. EFE/Arquivo/ Ernesto Mastrascusa

Cuba considera “fascista” nova medida dos EUA contra fornecimento de petróleo ao país

Havana (EFE).- O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta sexta-feira que a nova medida dos Estados Unidos de impor tarifas a todos os países que vendem ou fornecem petróleo à ilha “evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de um grupo ”.

“Esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de um grupo que sequestrou os interesses do povo americano para fins puramente pessoais”, afirmou o mandatário cubano.

O mandatário americano, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira uma ordem executiva que estabelece que os EUA poderão impor tarifas sobre bens provenientes de países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba, indicando que a ilha “constitui uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos EUA”.

Díaz-Canel assegurou que “sob um pretexto falso e sem argumentos, vendido por aqueles que fazem política e enriquecem às custas do sofrimento do nosso povo, o presidente Trump pretende asfixiar a economia cubana impondo tarifas a países que comercializam petróleo com Cuba de forma soberana”.

“O secretário de Estado e seus arlequins não diziam que o bloqueio não existia? Onde estão aqueles que nos aborrecem com suas histórias falsas de que se trata de um simples “embargo ao comércio bilateral”?”, questionou o presidente cubano em redes sociais.

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, condenou na quinta-feira “nos termos mais veementes” o que considerou como “a nova escalada dos EUA contra Cuba”.

“Agora se propõe impor um bloqueio total ao fornecimento de combustível ao nosso país”, escreveu o chanceler cubano nas redes.

Rodríguez acrescentou que “os EUA também recorrem à chantagem e à coerção para tentar que outros países se juntem à sua política de bloqueio contra Cuba, universalmente condenada, aos quais, caso se recusem, ameaçam com a imposição de tarifas arbitrárias e abusivas, em violação de todas as normas do livre-comércio”.

Cuba precisa de cerca de 110.000 barris de petróleo por dia, de acordo com diferentes estimativas e na ausência de dados oficiais. Desta quantidade, cerca de 40.000 provêm da sua produção nacional, pelo que aproximadamente dois terços têm de ser importados.

O principal fornecedor histórico do país era a Venezuela, que no ano passado forneceu cerca de 27.000 barris por dia, de acordo com o sistema de rastreamento da agência “Reuters”. Isso acabou com a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro.

Em seguida, vinha o México, com entre 6.000 e 12.000 barris por dia no ano passado, de acordo com diferentes fontes que a Agência EFE não pôde verificar de forma independente. Washington vinha aumentando sua pressão sobre esse país nas últimas semanas.

A Rússia, por sua vez, enviou a Cuba no ano passado cerca de 6.000 barris por dia, de acordo com o Instituto de Energia da Universidade do Texas.EFE