EUA afirmam que Arábia Saudita apoia Rússia

Washington (EFE).- O governo dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira que a Arábia Saudita está apoiando a Rússia econômica, moral e militarmente com a sua decisão da Opep+ na semana passada de cortar a produção de petróleo.

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, disse aos jornalistas que o seu país não quer ver nenhuma nação ajudando a Rússia na guerra na Ucrânia, seja com apoio moral, militar ou econômico.

“E a decisão da Opep+ nesta semana foi certamente de apoio econômico, e eu diria inclusive que entra na categoria de apoio moral e militar porque permite (Putin) continuar a financiar a sua máquina de fazer guerra”, analisou.

A Arábia Saudita repudiou nesta quinta-feira as críticas de estar “alinhada” contra os EUA na crise ucraniana, após a recente decisão da Opep+ de cortar o fornecimento de petróleo, dizendo que “não se baseava em fatos”.

A decisão de reduzir o fornecimento de petróleo em 2 milhões de barris, tomada na semana passada pela Opep+ (que reúne os 23 membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e os seus dez aliados externos, incluindo a Rússia), levou a Casa Branca a dizer que irá rever a sua relação com a Arábia Saudita.

EUA revisarão laços com Arábia Saudita após apoio à Rússia

Sobre esta reação dos EUA, Kirby comentou que a revisão dos laços “não vai ser formal”, embora tenha antecipado que é possível que um documento de política geral surja deste processo.

Kirby explicou que esta revisão não formal se desenvolve dentro do governo dos EUA e que se espera que os legisladores do Congresso estejam envolvidos, dado que “muitos” manifestaram preocupação com a liderança saudita na Opep+.

No entanto, Kirby frisou que com a aproximação das eleições para o Congresso dos EUA, em 8 de novembro, e sem nenhum negócio de armas pendente com a Arábia Saudita, não há “pressa” para a análise.

O porta-voz acrescentou que os EUA assistirão às próximas reuniões da Opep para ver se “os sauditas escolhem se envolver na guerra na Ucrânia”, e disse que houve membros da entidade que expressaram as suas preocupações aos EUA e a sensação de terem sido coagidos.

“Vou deixar os membros da Opep falarem por si próprios. Só posso assegurar que mais de um membro da Opep expressou e partilhou conosco as suas preocupações”, relatou Kirby. EFE