Sergey Lavrov. EFE/Arquivo/RUSSIAN FOREIGN MINISTRY PRESS SERVICE HANDOUT

Lavrov se diz “surpreso” com mudança de postura de Trump sobre cessar-fogo na Ucrânia

Moscou (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, se mostrou surpreso com a mudança de postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a necessidade de um cessar-fogo na Ucrânia.

“É surpreendente que, de repente, o presidente Trump tenha voltado a assumir a postura que reflete o desejo febril dos europeus e do regime (do presidente ucraniano, Volodymyr) Zelensky de receber uma pausa para injetar armamento na estrutura de Kiev”, disse Lavrov nesta terça-feira em coletiva de imprensa em Minsk.

Lavrov, que em declarações no domingo à imprensa húngara já havia classificado como “radical” a mudança da Casa Branca, expressou nesta terça-feira sua confiança em que “prevaleça” a lógica do estabelecimento de uma “paz duradoura”.

“Esperamos que o presidente Trump queira uma paz realmente duradoura e não a criação de condições para continuar a injeção de armas e dinheiro no regime de Kiev, para que não abandone seus esforços como instrumento dos europeus em sua guerra com a Federação Russa”, assinalou.

Além disso, ressaltou que seu país também precisa de garantias para uma futura cúpula entre Putin e Trump, depois que o presidente americano cancelou a reunião prevista em Budapeste diante da recusa do Kremlin em cessar as hostilidades.

“Nós também precisamos de garantias de que o encontro entre os presidentes terá um resultado concreto”, disse o ministro russo depois de discursar na III Conferência Internacional de Segurança Eurasiática.

Lavrov acrescentou que Moscou “está preparada para esse resultado” e lembrou que essa foi sua atitude em relação à cúpula do último mês de agosto no Alasca.

Quando Moscou fala dos “entendimentos” e “princípios” no Alasca, se refere a que, nessa cúpula, Trump não exigiu um cessar-fogo imediato, como havia feito semanas antes. No entanto, o chefe da Casa Branca recuperou agora a demanda de que tanto russos quanto ucranianos cessem os combates.

Durante sua viagem pela Ásia, Trump pediu a Putin que deixasse de fazer testes com mísseis e parasse a guerra na Ucrânia, exigência que Kiev e Bruxelas compartilham.

Depois que Trump aprovou as primeiras sanções contra Moscou de seu segundo mandato, Putin realizou uma reunião especial com o Estado-Maior, na qual informou sobre os grandes avanços do Exército russo na frente, que foram postos em dúvida pela Ucrânia e por blogueiros militares. EFE