Líbano e Israel oficializam histórico acordo sobre fronteira marítima

Beirute/Jerusalém (EFE).- Líbano e Israel formalizaram nesta quinta-feira um acordo histórico para demarcar suas fronteiras marítimas durante uma cerimônia na cidade libanesa de Naqoura, na fronteira entre os dois países e com a presença do mediador dos Estados Unidos nas negociações, Amos Hochstein.

O presidente libanês, Michel Aoun, enviou ao meio-dia (horário local) a Nagoura uma delegação encarregada de levar uma cópia do acordo assinada por ele e entregá-la ao mediador americano e à coordenadora especial da ONU para o Líbano, Joanna Wronecka, disse o escritório da presidência em comunicado.

A delegação também levou uma carta assinada pelo ministro das Relações Exteriores libanês, Abdallah Bou Habib, definindo as coordenadas oficiais da nova fronteira marítima.

A coordenadora da ONU confirmou em um comunicado que recebeu as cartas com as coordenadas de fronteira assinadas pelos dois países na sede da missão de paz da organização no Líbano (UNIFIL) em Naqoura, à tarde, e que as levará à sede das Nações Unidas em Nova York.

Acordo entre Líbano e Israel trará “paz e estabilidade”

Segundo a imprensa israelense, as duas delegações estiveram na mesma sala durante a cerimônia oficial na sede da UNIFIL, mas nenhuma foto da reunião, que aconteceu a portas fechadas, foi divulgada.

A delegação israelense fez declarações em Rosh Hanikra, na fronteira com o Líbano na costa do Mediterrâneo, ao retornar de Naqoura, onde também confirmou a formalização do pacto.

Lá, o diretor-geral do Ministério de Energia de Israel, Lior Schillat, disse que o acordo traria à região e agradeceu ao mediador Hochstein e ao governo americano por seu papel na busca de uma “solução permanente” para a disputa marítima.

O Líbano e Israel, que não têm relações diplomáticas e estão tecnicamente em guerra, iniciaram um diálogo indireto para delinear sua divisão marítima em outubro de 2020, retomando-o neste ano após um longo hiato devido a algumas divergências nas regras do acordo. EFE