Lula e Fernández defendem projeto de moeda comum entre Brasil e Argentina

Buenos Aires (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Argentina, Alberto Fernández, defenderam nesta segunda-feira que haja avanço em um projeto de moeda comum para transações comerciais, que permita o fim da dependência do dólar.

“Acho que tudo o que é novo precisa ser testado, porque não podemos, no meio do século 21, seguir fazendo o mesmo que fazíamos no século 20”, disse Lula, em entrevista coletiva conjunta com Fernández, após ambos terem se reunido na Casa Rosada, sede do governo argentino.

“Deus queira que nossos ministros da área econômica e presidentes dos Bancos Centrais tenham a inteligência, competência e sensatez necessárias, para que possamos dar um salto de qualidade em nossas relações comerciais e financeiras”, completou.

Lula se questionou do motivo de não se tentar criar uma moeda comum entre os paíss do Mercosul, como foi tentado nos Brics, bloco que o Brasil integra junto com Rússia, Índia, China e África do Sul.

“Acho que vai acontecer e acho que é necessário que aconteça. Porque há países que, às vezes, têm dificuldades de adquirir dólares, e podem ser estabelecidos acordos que, depois, os bancos centrais fixem o tipo de câmbio para fazer a troca comercial”, disse o presidente do Brasil.

Lula relembrou que, no passado, houve uma experiência entre Brasil e Argentina, em que os cidadãos do segundo poderiam pagar com sua moeda no primeiro, o que não teve sucesso.

“O que estamos tentando trabalhar agora é que nossos ministros da Fazenda, cada um com sua equipe, possam fazer uma proposta de comércio exterior e de transações entre os dois países, que seja feita com uma moda comum, que seja construída com muito debate e muitas reuniões”, disse.

Fernández se mostrou alinhado com Lula e se manifestou na mesma linha.

“Não sabemos como poderia funcionar uma moeda comum entre Argentina e Brasil, e também não sabemos como funcionaria uma moeda comum na região, mas o que sabemos, é como funcionavam as economias, dependendo de moedas estrangeiras, e sim, sabemos o mal de tudo isso”, afirmou o argentino.

“Comemoro essa vocação do governo do Brasil, em geral, e do presidente Lula, em particular. Se não nos animarmos em mudar, seguiremos padecendo dos mesmos males. É necessário que aprofundemos o vínculo entre o Brasil e a Argentina, porque esse vínculo é que vai ser o motor de todas as relações da América do Sul”, completou. EFE