Caracas (EFE).- A líder oposicionista venezuelana María Corina Machado afirmou nesta sexta-feira que a sua escolha como vencedora do prêmio Nobel da Paz de 2025 representa um “impulso para concluir” a tarefa de “conquistar a liberdade” em seu país, e apontou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as “nações democráticas do mundo” como aliados para alcançar esse objetivo.
“Este imenso reconhecimento à luta de todos os venezuelanos é um impulso para concluir nossa tarefa: conquistar a liberdade”, comentou Machado na rede social X (ex-Twitter).
Ela disse que está “às vésperas da vitória” e que hoje, “mais do que nunca”, conta “com o presidente Trump, o povo dos EUA, os povos da América Latina e as nações democráticas do mundo” como “principais aliados para alcançar a liberdade e a democracia”.
“A Venezuela será livre”, acrescentou.
O Comitê Norueguês do Nobel, com sede em Oslo, anunciou nesta sexta-feira que Machado é a vencedora do Nobel da Paz “pelo trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano e pela luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.
O prêmio é concedido a “uma defensora corajosa e comprometida da paz, uma mulher que mantém viva a chama da democracia em meio a uma escuridão crescente”, declarou Jorgen Watne Frydnes, presidente do Comitê Norueguês do Nobel, ao anunciar o prêmio.
Machado demonstrou que as ferramentas da democracia são também as da paz, destacou o comitê, que acrescentou que a premiada encarna a esperança de um futuro diferente, no qual os direitos fundamentais dos cidadãos sejam protegidos e suas vozes sejam ouvidas.
De acordo com um vídeo compartilhado pela equipe de imprensa de Machado, que mostra o oposicionista Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha desde setembro de 2024, falando ao telefone em viva-voz, a ex-deputada afirmou estar “em choque”.
A opositora permanece na clandestinidade dentro da Venezuela desde sua última aparição pública, em 9 de janeiro, quando liderou um protesto em Caracas para defender a reivindicada vitória de González Urrutia nas eleições presidenciais de 2024, na véspera da posse de Maduro, proclamado vencedor das eleições por um órgão eleitoral controlado por funcionários ligados ao chavismo.
Todos os prêmios Nobel têm neste ano um valor de 11 milhões de coroas suecas (US$ 1,2 milhão) e serão entregues no dia 10 de dezembro em uma cerimônia dupla: em Oslo, para o da Paz, e em Estocolmo, para os demais.
O comitê espera que a opositora possa viajar a Oslo dentro de dois meses para receber o prêmio, embora tenha ressaltado que ainda é cedo para saber e que é necessário resolver antes uma questão de segurança “séria”. EFE