Meloni diz que novo governo não quer sabotar a União Europeia

Roma (EFE).- A primeira-ministra da Itália e líder do partido de extrema-direita Irmãos de Itália, Giorgia Meloni, garantiu nesta terça-feira que o novo governo do país não pretende sabotar a União Europeia, “mas sim fazê-la mais eficaz”.

A chefe do Executivo que está sendo formado discursou pela primeira vez hoje na Câmara dos Deputados e seria submetida ao longo do dia a um voto de confiança, requisito para a posse.

Meloni agradeceu as mensagens que recebeu das principais instituições europeias e explicou que sabe que há “curiosidade” sobre a atuação do governo em relação ao bloco comunitário.

A nova primeira-ministra respondeu, dizendo que “a UE nem sempre foi preparada”, mas que “ser questionada não significa que seja herege”, mas que “são pragmáticos”.

Meloni afirmou que o objetivo do novo governo, que liderará a partir da aliança com os partidos Liga e Força Itália, será “não frear ou sabotar a UE, mas sim torná-la mais eficaz na resposta às crises”.

A política complementou que o país respeitará “as normas atualmente em vigor”, em matérias orçamentárias.

“A Itália fará ouvir sua voz na Europa como convém a uma grande nação fundadora. A UE não é um círculo de elite, com membros da Série A e da Série B, ou uma diretoria que deve manter suas contas em ordem, mas sim uma casa comum para encarar objetivos que os países membros dificilmente poderão enfrentar sozinhos. Nisto a UE, muitas vezes, não esteve preparada”, disse Meloni.

Meloni promete manter lealdade à Otan

A nova primeira-ministra também garantiu que a Itália seguirá sendo um aliado leal da Otan e citando o “valente povo ucraniano”, confirmou que serão respeitados os compromissos internacionais para ajudá-los a “se defenderem da agressão da Federação Russa”.

 “Aqueles que acreditam que é possível trocar a liberdade da Ucrânia por nossa liberdade, estão errados. Ceder a chantagem de Vladimir Putin não resolveria o problema”, disse a política italiana, em referência ao presidente da Rússia.

Além disso, Meloni afirmou sentir o peso de ser a primeira mulher a governar a Itália e agradeceu a todas as mulheres “que passam por dificuldades para fazer valer seu talento”, assim como relembrou as mulheres que “construíram essa escada que hoje permite romper esse pesado teto de vidro”.

Meloni anunciou que será necessário “reforçar as medidas de apoio às famílias e empresas” para pagar contas e combustível”.

“Somente uma Itália que respeita seus compromissos pode ter autoridade para pedir, a nível europeu e ocidental, por exemplo, que os encargos da crise internacional sejam divididos de uma forma mais equilibrada. É isso que pretendemos fazer, começando pela energia”, prometeu.

Ajustes no programa de recuperação

Meloni, que foi interrompida várias vezes por aplausos, confirmou a intenção de entrar em acordo com a Comissão Europeia, para ajustes necessários no programa de recuperação para a utilização dos fundos europeus, para “otimizar o gasto, sobre tudo, diante do aumento dos preços das matérias primas e da crise energética, porque isso é preciso ser enfrentado com um enfoque pragmático, não ideológico.

Além disso, a nova primeira-ministra falou da intenção de uma reforma na Constituição da Itália, com a introdução do semipresidencialismo, em que o chefe de Estado seja eleito pelos cidadãos, e defendeu a discussão entre todas as forças políticas nacionais.

“Mas é claro que não renunciaremos de reformar a Itália diante de uma oposição prejudicial. Nesse caso, vamos agir de acordo com o mandato que os italianos nos deram: dar à Itália um sistema institucional em que quem vence, governa por cinco anos e, no fim, é julgado pelos eleitores, concluiu Meloni. EFE